No evangelho de hoje vemos Jesus curando e expulsando demônios na Galileia. Junto da multidão que o seguia — e que se acercava dele ao ponto de nem Lhe deixar tempo para comer —, também o acompanhavam pessoas que não compreendiam o que ele estava fazendo. Seus próprios amigos acreditavam que Ele tinha perdido o juízo, necessitando de repousar por um tempo. Mas os escribas, que vinham de Jerusalém, não estavam apenas humanamente equivocados: eles o acusavam de estar possuído pelo príncipe dos demônios.

A realidade, contudo, é exatamente o contrário. Jesus está se revelando a Si mesmo como o prometido da primeira leitura: Ele é o descendente da mulher que veio para esmagar a cabeça da serpente demoníaca. Na parábola do homem forte, que está no Evangelho de hoje, Jesus revela que veio não apenas para derrotar o demônio, mas também para libertar os que estavam sob o seu jugo.

É assim que São Beda a explica: “O Senhor amarrou também o homem forte, ou seja, o demônio; limitou o seu poder de seduzir os escolhidos [de Deus], limitou a sua ação no mundo (que é a casa do demônio). Deus arruinou a casa do demônio e arrebatou suas posses, isto é, os homens, livrando-os das ciladas do demônio e unindo-os à Sua Igreja”.

Os escribas blasfemam, quando atribuem aos demônios esta obra do Espírito Santo. Jesus, então, declara algo que nos assusta, ao dizer: “Aquele que blasfemar contra o Espírito Santo jamais terá perdão”. Isso não significa que a misericórdia de Deus tenha limites (v. Catecismo da Igreja Católica, nº 1864). O que Ele queria dizer era que o único pecado que imperdoável é o de rejeitar a misericórdia que o Espírito Santo nos oferece.

Em vez disto, devemos imitar aqueles que se sentavam aos pés de Jesus. Pois foi Ele mesmo Quem garantiu: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

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