Trocar o ceticismo pelo catecismo não é tão simples como pegar a primeira sílaba da palavra, tirar o “e” e botar o “a” no lugar. Para toda uma vida mudar de rumo e sentido — que é o que acontece quando se troca o ceticismo pelo catecismo —, é preciso um pouco mais de esforço.

Conversão é coisa um pouco mais complicada do que simplesmente trocar uma letra por outra, ou um conceito por outro. O escritor Graham Greene fez isto e logo retornou ao agnosticismo de antes de sua conversão assepticamente “conceitual”. Na verdade, a substituição da dúvida pela fé leva tempo, como toda maturação. São raros os casos em que é suficiente sofrer uma queda, nalguma estrada de Damasco da vida, para ver a luz da verdade.  

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Que diferença entre o ceticismo, fundado na dúvida sistemática, e o realismo, em que a ausência de certeza é só um estágio na busca da verdade! Os filósofos de pés no chão mostram que, quando se pretende compreender um fato, a saída é colocar sobre a mesa as várias hipóteses possíveis que procuram explicá-lo e confrontá-las com a realidade. É o único critério digno de respeito. Também não é coisa fácil, mas é o único caminho que pode levar à verdade.

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O momento mais belo do ceticismo é quando ele está emitindo os últimos suspiros de vida… Quando o cético, enfim, se deixa surpreender exatamente pelo contrário da expectativa (negativa e suspensiva) permanentemente criada pelo ceticismo.