Coroado de espinhos, nosso Senhor é erguido na Cruz, onde morre como “Rei dos Judeus”. Observemos quantas vezes Ele é chamado de “rei” no Evangelho de hoje, sobretudo por escárnio e zombaria.

Ao ouvirmos os longos relatos de Sua Paixão, devemos nos lembrar, a cada momento, que foi por nós que Ele sofreu essa cruel e extraordinária violência.

Jesus é o Servo Sofredor predito por Isaías, na Primeira Leitura deste domingo. Ele revive a agonia descrita no Salmo de hoje, e morre com as primeiras palavras desse mesmo Salmo em Seus lábios (ver Salmo 22: 1).

Ouçamos atentamente os ecos desse Salmo no Evangelho de hoje: quando Jesus é espancado, e Suas mãos e pés são perfurados; quando Seus inimigos disputam Suas roupas, balançando a cabeça, zombando de Sua fé no amor de Deus e da crença de que Deus O libertaria.

Acaso somos tão diferentes assim dos algozes de Nosso Senhor? Não negamos, frequentemente, que Ele é o Rei, recusando-nos a obedecer aos Seus mandamentos de amá-Lo e amar ao próximo? Não lhe rendemos falsos louvores, com nossas devoções tão distraídas?

No sombrio meio-dia do Calvário, rasgou-se o véu do templo de Jerusalém: foi um sinal de que, com Sua morte, Jesus destruiu para sempre a barreira que nos separava da presença de Deus.

Ele era Deus e, mesmo assim, humilhou-Se, tornando-se igual aos homens, como nos lembra a Epístola de hoje. E, apesar de nossas repetidas falhas e nossa fragilidade, Jesus continua humilhando-se ao vir até nós na Eucaristia, oferecendo-nos o Seu corpo e o Seu sangue.

Seus inimigos nunca compreenderam que o Seu reino não era deste mundo (ver João 18:36). Ele deseja escrever Sua lei e Seus preceitos em nossos corações e nossas mentes.

Ao entrarmos na Semana Santa, iremos mais uma vez tomar a resolução de entregar-Lhe o comando de nossas vidas. Tomemos a cruz que Ele nos oferece e confessemos, com todo nosso coração, nosso entendimento e nossa força, que verdadeiramente Ele é o Filho de Deus.

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