A Quaresma nos convida a retornar à inocência de nosso batismo. Como Noé e sua família foram salvos por meio das águas do dilúvio, nós fomos salvos por meio das águas do batismo, como Pedro nos lembra na epístola de hoje.

E a aliança de Deus com Noé, na primeira leitura de hoje, marcou o início de um novo mundo. Mas também prefigurou uma nova e maior aliança entre Deus e Sua criação (ver Oséias 2:20; Isaías 11: 1-9).

Vemos que essa nova aliança, e essa nova criação, tem início no Evangelho de hoje.

Jesus é retratado como o novo Adão, o filho amado de Deus (ver Marcos 1:11; Lucas 3:38), vivendo em harmonia com os animais selvagens (ver Gênesis 2: 19-20), sendo servido por anjos (ver Ezequiel 28: 12-14).

Como Adão, Ele também é tentado pelo demônio. Mas se Adão caiu, permitindo que reinassem o pecado e a morte (ver Romanos 5: 12-14, 17-20), Jesus saiu vitorioso.

Estas são as boas novas, o “evangelho de Deus” que Jesus proclama. Por meio de Sua morte, ressurreição e entronização à direita do Pai, o mundo se tornou, novamente, reino de Deus.

Pelas águas do Batismo, cada um de nós foi admitido no reino de Seu Filho amado (ver Colossenses 1: 13-14). Fomos transformados em filhos de Deus, em novas criaturas (ver 2 Coríntios 5: 7; Gálatas 4: 3-7).

Mas como Jesus (e Israel antes Dele), nós passamos pelas águas batismais para sermos em seguida lançados no deserto, ou seja, num mundo cheio de aflições em que nossa fidelidade deverá ser provada (ver 1 Coríntios 10: 1-4, 9,13; Deuteronômio 8 : 2, 16).

Nesta viagem, somos conduzidos por Jesus. Ele é o Salvador, o caminho e a verdade que cantamos no Salmo de hoje (ver João 14: 6). Jesus nos alimenta com o pão dos anjos (ver Salmos 78:25; Sabedoria 16:20) e purifica as nossas consciências no Sacramento da Reconciliação.

Ao iniciarmos esta santa época da Quaresma, renovemos os nossos votos batismais de arrependimento e fé no Evangelho.

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