O cardeal Gerhard Müller, prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, comentou recentemente com Eward Pentin, do National Catholic Register, sobre a discussão atual a respeito do Grande Reset, promovido pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos. Nesse contexto, o cardeal fez uma advertência séria: ele vê uma fusão das organizações capitalistas ocidentais com a China, formando um novo “capital-socialismo unificado”.

Em 29 de janeiro, o prelado alemão disse a Pentin que dois lados — “o capitalismo especulativo, os Big Techs ocidentais” e o “comunismo da República Popular da China” — estão agora “convergindo e se fundindo em um capital-socialismo unificado”, produzindo um “novo colonialismo”. Com esses comentários, parece sugerir que estamos testemunhando aqui uma fusão de grandes potências financeiras com estados comunistas — particularmente a China — visando a dominação do mundo por potências capitalistas globais, enquanto as massas são mantidas numa sociedade socialista, controladas e oprimidas pelo Estado. Podemos relembrar aqui a resposta recente dos países ocidentais à crise do Coronavirus, que levou à supressão de muitas liberdades em nome de uma crise sanitária.

O Grande Reset é um programa lançado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), que usa a crise do Coronavírus como pretexto para uma reorganização fundamental da maneira como nós, seres humanos, vivemos juntos nesta terra. O Fórum Econômico Mundial afirma em seu site que “as mudanças que já vimos, em resposta à Covid-19, demonstram que um reset de nossas bases econômicas e sociais é possível”. À luz das crises econômicas e ambientais esperadas, o Fórum Econômico Mundial propõe que “devemos construir bases completamente novas para nossos sistemas econômicos e sociais”. Como essa reconstrução de nossas sociedades deveria aparecer aos olhos desses atores financeiros e econômicos globais, pode ser visto em um vídeo do Fórum Econômico Mundial, chamado “Oito Previsões para o Mundo em 2030”.

Este vídeo prevê que “as pessoas não terão nada e serão felizes. O que se quiser, poderá ser alugado e será entregue a domicílio por um drone”. Junto com a abolição da propriedade privada — um objetivo típico das ideologias socialistas — o Fórum Econômico Mundial também vê o fim dos valores ocidentais que são obviamente baseados no cristianismo: “Os valores ocidentais terão postos à prova e chegarão ao ponto de ruptura.” É de se perguntar que tipo de valores substituirão esses “valores ocidentais” e de onde eles virão.

Neste contexto, os comentários do Cardeal Müller são importantes, pois denuncia este novo programa ideológico para o nosso mundo.

Enquanto ele pensa que é bom que as pessoas das esferas econômica e política se reúnam e discutam questões importantes, o cardeal alemão se pergunta que “imagem de humanidade” o Fórum Econômico Mundial está realmente propondo. Ao mesmo tempo, o cardeal advertiu que o objetivo desta nova força de fusão — a colaboração entre grandes entidades capitalistas com a China — é o “controle absoluto do pensamento, palavra e ação”.

Os comentários do cardeal Müller indicam a importância do mundo digital hoje e como ele afeta a vida humana. Ele vê que está sendo criado um “homem homogeneizado”, e que um tal homem “pode ser guiado mais facilmente”.

“Começou o mundo orwelliano do homo digitalis“, explicou ele. “Por meio do mainstream, a conformidade total da consciência das massas deve ser alcançada por meio da mídia.” O cardeal Müller se referiu aqui ao autor francês do século 19, Gustave Le Bon, que previu tal situação em seu livro A psicologia das multidões.

O cardeal Müller também rejeitou a ideia de que tais críticas ao Grande Reset, e seus planos ideológicos, sejam meras “teorias da conspiração”. Acrescentou que os sistemas totalitários “sempre denegriram todas as críticas como conspiração e subversão”. Em seus comentários, ele se referiu às muitas advertências do governo totalitário, no século 20. E explicou que “dificilmente podem ser desacreditadas como teorias da conspiração, pois os desdobramentos políticos reais mostraram que estavam certos”.

Advertindo-nos para não considerar como esforços inocentes as promessas do Grande Reset e programas similares das riquíssimas fundações [internacionais], o prelado alemão afirmou que “a fé cega na atitude filantrópica dos líderes das Grandes Fundações e Sociedades Abertas só é possível com uma negação completamente ingênua da realidade”.

O cardeal alemão e ex-bispo de Regensburg, Alemanha, ressaltou que houve tentativas no passado de recriar o homem e reinventar o mundo. Essas tentativas sempre se transformaram em movimentos totalitários. Sempre que o homem quis “recriar e redimir a si mesmo”, disse Cardeal Muller a Pentin, foi criado um monstro, citando como exemplo o “experimento humano macabro” da União Soviética Comunista, que coincidiu com a revolução industrial.

“Isso deveria ter nos convencido”, acrescentou, “que a utopia de um paraíso terrestre, em qualquer forma, se traduz nos maiores crimes contra a humanidade (negação da liberdade dos dissidentes, destruição do trabalho, redução da população pelo aborto e eutanásia). A natureza do homem, ferido pelo pecado, precisa do perdão divino. Só a graça de Deus pode nos redimir e nos dar a ‘liberdade e glória dos filhos de Deus”.

Lembramos aqui aos nossos leitores o fato de que o presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, é aliado do programa Great Reset e até chama sua nova agenda de “Build Back Better”, slogan também utilizado pelo Fórum Econômico Mundial. Ao mesmo tempo, o Fórum Econômico Mundial se alinhou com a China e convidou o presidente Xi Jinping a fazer um discurso no dia de abertura de sua reunião anual (virtual) em 2021. O próprio Fórum Econômico Mundial assim definiu a sua participação no fórum: uma “oportunidade histórica para colaboração”.

Em outubro de 2020, o cardeal Müller já havia alertado que a eleição de Biden a presidente dos Estados Unidos poderia ter sérios efeitos nos Estados Unidos e nas democracias mundiais, especialmente à luz do crescente poder da China.

Em declarações ao Breitbart News, o cardeal alemão disse: “O resultado das eleições americanas determinará se os Estados Unidos continuarão a ser a principal potência mundial — pela liberdade e pela democracia — ou se uma ditadura comunista assumirá esse papel para a comunidade global”. Falando sobre a ditadura chinesa e seu crescente poder no mundo, o Cardeal Müller explicou que “na China se repete o lema da Alemanha nazista: “Você não é nada — o Estado é tudo. Mas a verdade é o contrário: as pessoas são tudo e o Estado existe apenas para servir ao bem comum”.

Em perfeita consonância com a previsão do Fórum Econômico Mundial de que os “valores ocidentais” logo atingirão seu ponto de ruptura, o cardeal Müller expressou, em janeiro de 2021, sua preocupação de que o novo regime de Biden esteja agora empreendendo uma campanha para “descristianizar a cultura ocidental”. Em declarações ao site católico austríaco Kath.net, o prelado afirmou que a administração Biden, “com seu poder político, midiático e econômico concentrado, está na vanguarda da campanha mais sutilmente brutal dos últimos 100 anos para descristianizar o Cultura ocidental.” Seus comentários se ligavam ao fato do presidente Biden já haver tomado medidas para promover o aborto, bem como a agenda LGBT.

O próprio Fórum Econômico Mundial está promovendo a agenda LGBT, bem como a agenda do aborto.

O cardeal Müller se opõe veementemente a essas agendas anticristãs e disse, ao Kath.net, que qualquer “cristão que se posicione contra o mainstream da propaganda LGBT, o aborto, o uso de drogas legalizadas, a dissolução da sexualidade masculina ou feminina, é insultado como de ‘extrema direita’ ou mesmo como ‘nazista’, apesar dos nacional-socialistas, eles sim, com sua ideologia biologista e social-darwinista, terem sido a mais aberta contradição da imagem cristã do homem”.

Os cristãos, na política, devem se opor a essas agendas, disse ele, mesmo se não puderem agir efetivamente contra a aprovação dessas leis. “Eles nunca devem participar do mal, nem ativa, nem passivamente”, acrescentou. “No mínimo, devem protestar contra isso e — na medida do possível — resistir, mesmo que sejam discriminados.”

https://www.lifesitenews.com/blogs/cardinal-mueller-decries-the-great-reset