O principal problema do darwinismo ateu não está na hipótese evolucionista, que pode muito bem ter sido o caminho pelo qual chegamos até aqui. Quem garante que não foi esta a vontade de Deus? O verdadeiro problema é a dificuldade dos darwinistas ateus em admitir uma finalidade (e, portanto, uma inteligência) na obra do universo. A finalidade não é coisa de Deus, mas do homem. Só o homem poderia dar sentido a um mundo torpe e sem transcendência.

É grotesca tal insistência na casualidade do ser, na ancestralidade irracional do homem, reveladora de um patológico gosto pelas coisas informes e disformes — uma estranha atração pela orfandade e a geração espontânea — um desconforto freudiano em admitir a paternidade divina do cosmos — um monstruoso prazer em degustar o próprio abandono metafísico…

Pense-se na derrelição heideggeriana e sua concepção do homem como um mero ser-aí, casualmente jogado no mundo, uma ideia de início meramente acadêmica, mas que, no século XX, teria efeitos práticos desastrosos, criando uma descendência de intelectuais nauseados — os existencialistas — que não demorariam a mergulhar no alcoolismo, na droga, no sexo livre. E o que é pior: julgando-se com o direito de levar o resto do rebanho para o abismo que eles mesmos constroem com suas ideias equivocadas.

O darwinismo é uma espécie de atestado de maus antecedentes, visando justificar retrospectivamente a aventura gnóstico-revolucionária da construção de um futuro monstruosamente transumano.

Essa espécie de intelectual proíbe-se a si mesmo de considerar a possibilidade de Deus, pois suas consequências seriam decentes demais para quem prefere a feiura e a crueldade da arte moderna, da política moderna, da sociedade moderna.

São eles, os darwinistas ateus, que hoje sonham com a Grande Reinicialização do mundo, depois de transformar uma agressiva pandemia gripal, mas racionalmente administrável, num evento mítico e caótico, com o poder de destruir o mercado, comprometer as instituições sociais e provocar sérios distúrbios de comportamento em pessoas comuns (mas também elas, infelizmente, já condicionadas pela cultura moderna, toda impregnada de darwinismo ateu, para quem a morte é o fim de tudo e seriam lícitos quaisquer esforços para evitá-la, mesmo os mais irracionais).