Na manhã de sábado, 9 de janeiro, morreu padre Ennio Innocenti, um sacerdote romano, como gostava de se definir. Nasceu em 1932, em Pistoia, e experimentou os sofrimentos da guerra, que culminaram com a morte de seu pai, em 1944.

Quando o jovem Ennio começou a dar sinais de vocação ao sacerdócio, foi incentivado por alguns padres próximos a ele. Estudou em Roma, no Colégio Capranica, e nas Universidades Gregoriana e Lateranense. Foi ordenado sacerdote em 1957, desempenhando a partir de então funções pastorais em várias paróquias romanas. Também foi professor de religião em algumas escolas secundárias romanas, além de professor de teologia fundamental e ecumenismo. Nos intervalos, ainda se ocupava de causas matrimoniais e canonizações.

Na década de 1960, conheceu o jesuíta Virginio Rotondi, famoso por ser a voz de um programa de rádio bem popular, Ascolta, si fa sera (“Ouça, que é noite”) e fundador do movimento Oasi. Don Ennio tornou-se assistente espiritual do movimento e tinha, entre seus alunos, o comissário Luigi Calabresi (assassinado por um movimento de extrema esquerda e para quem Padre Ennio queria iniciar a causa da canonização) e Giovanni d’Ercole (também muito ativo na mídia e hoje bispo).

Padre Ennio também começaria a colaborar com o programa de rádio Ascolta, si fa sera (“Ouça, que é noite”), tarefa que se prolongará por muitos anos e cujas reflexões recolherá depois em vários livros. O apostolado da boa imprensa será uma missão para toda a sua longa vida, uma vida durante a qual publicou mais de 100 obras, sobre temas como exegese, filosofia, teologia, estética, história etc.

No entanto, confessava que a pesquisa pela qual queria ser lembrado era a sobre a gnose. Ele mesmo o explicou: “Muitas vezes as pessoas, em algumas de minhas conferências, me pedem para explicar o que é gnose. Nessas ocasiões, eu explico como cheguei a avaliar o fenômeno e como ele se desenvolveu na história. Na realidade, todos os cristãos conhecem, por si mesmos, a essência da gnose (a presunção do conhecimento elevado) desde o tempo do primeiro catecismo. Na verdade, o primeiro professor de gnose é o diabo, que sugere a Adão que cruze a linha vermelha que Deus lhe havia assinalado; isto é, sugere a Adão ser como Deus, ele mesmo árbitro do que é bom e do que é mau, esquecendo sua limitação como criatura, esquecendo que ele não é o ser originário, que só recebeu o ser e, portanto, não é o senhor daquilo que é”.

Padre Ennio distinguia entre uma gnose ruim (chamada “espúria”) e uma gnose boa. A este tema, padre Ennio dedicou anos e anos de estudo, e milhares de páginas.

No discurso proferido pelo 60º aniversário do seu sacerdócio, no dia 20 de janeiro de 2017, na igreja de San Giovanni dei Fiorentini, disse entre outras coisas: «Espero, agora, que Deus não retarde a sua tão desejada convocação, para que, em seu abraço definitivo, eu possa reencontrar o abraço de todos aqueles que me ajudaram a subir ao altar, incluindo o afetuoso Padre Pio de Pietrelcina, que conheci pessoalmente e abençoou meu início de sacerdócio, e todos aqueles que me auxiliaram e apoiaram nestes décadas de apostolado pelo livro”. O Pai Eterno não demorou muito e o fez expiar, ainda aqui na terra, com uma doença (não curta) que precedeu a sua morte.

Padre Ennio tinha um caráter forte, às vezes duro. Mas era um caráter que lhe permitia estar sempre voltado à sua missão de servidor da Igreja — missão que não o poupou do sofrimento nem dentro da própria Igreja, mas que o fez chegar àquele momento definitivo com a consciência paulina de haver terminado a corrida, combatendo o bom combate e conservando a fé.

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