A revolução de 1917, na Rússia, ocorreu em duas etapas: a primeira foi a da revolução de fevereiro (23 de fevereiro a 2 de março, de acordo com o calendário juliano; 8 a 15 de março, de acordo com o calendário gregoriano, nosso calendário). A segunda foi a da revolução de outubro (24 a 25 de outubro, no calendário juliano; 6 a 7 de novembro, em nosso calendário).

A revolução de fevereiro provocou a abdicação do czar Nicolau II e levou ao poder, como chefe do governo provisório russo, o socialista “menchevique” Alexander Kerensky, muito depressa angustiado pelas ações dos comunistas, aqueles “bolcheviques” dos quais Lenin era o chefe, então exilado em Zurique.

Trotsky o precedeu em Petrogrado para iniciar a agitação revolucionária. Lenin, e alguns outros de seus quadros bolcheviques, puderam, por sua vez, voltar à Rússia graças aos bons serviços do Estado-Maior alemão. Este último considerou o benefício que traria, para a Alemanha, uma revolução por parte de seu inimigo russo e o fim da guerra na Frente Oriental.

O que veio depois já se conhece bem…

O que está acontecendo nos EUA, hoje, apesar de tantas coisas infinitamente diferentes, tem algumas analogias com o que aconteceu na Rússia, um século atrás. Biden não é Kerensky, mas, devido à sua idade, ele tem tudo para ser um presidente fraco. E, em muitos aspectos, a revolução já venceu na América: a revolução racista do anti-racismo, revolução dos “antifas”, da “cultura do cancelamento”, a revolução “woke”, a revolução antropológica radical de uma “América degenerada”  e selvagem.

Esta revolução não tem, por enquanto, seu Lenin ou seu Trotsky, mas vai se instalar, no topo do poder, com a vice-presidente dos Estados Unidos, a superesquerdista Kamala Harris, e a presidente da Câmara, Nancy Pelosi.

Há muitos, no Partido Democrata, que estão mais preocupados com a possível evolução da situação, do que felizes com a eleição de Biden. Porque eles podem ver bem, desde dentro, que a esquerda abrigada por seu partido se tornou, cada vez mais, uma ultraesquerda maluca, violenta, racista (que conquistou muitos campus acadêmicos com eventos do tipo “without white people”).

Eis, agora, o país entregue à aliança entre o GAFA (Google, Amazon, Facebook e Apple) e a Gangrena dos Antifas. Os primeiros são favoráveis ​​a todas as desconstruções sociais, a todas as desnaturações e inversões do “melhor de todos os mundos”. O segundo quer acabar, pela violência, com o velho domínio da América WASP (branca – anglo-saxônica – protestante).

No final das contas, essas duas forças irão colidir. Joe Biden não pode ignorar isso. E que será de Kamala Harris, então? Ela será sua tábua de salvação e o sucederá, como presidente dos Estados Unidos, para desempenhar um papel semelhante ao de Obama? Mas ela mesma, uma filha da classe média alta, terá forças para conter a violenta revolução afro-anarco-niilista?

E, além disto, o que dizer dos oitenta milhões de eleitores trumpistas que irão, com ou sem razão, conservar na boca o sabor amargo de uma eleição possivelmente fraudada?

http://www.bernard-antony.com/2021/01/joe-biden-comme-kerensky.html