A liturgia da semana passada revelou o mistério do plano de Deus: em Jesus todos os povos, simbolizados pelos magos, foram feitos “co-herdeiros” das bênçãos prometidas a Israel. Nesta semana, soubemos como reivindicar nossa herança.

Jesus não se submete ao batismo de João como um pecador que necessita de purificação. Humilha-se a Si mesmo, ao passar pelas águas do Jordão, a fim de liderar um novo “êxodo”: abrir a terra prometida do céu, para que todos os povos possam ouvir as palavras pronunciadas sobre Jesus no Evangelho de hoje, palavras antes reservadas a Israel e seu rei: que cada um de nós é um filho ou uma filha amada de Deus (ver Gênesis 22:2; Êxodo 4:22; Salmos 2:7).

Jesus é o servo eleito profetizado, por Isaías, na primeira leitura de hoje, ungido com o Espírito para agir com retidão e justiça na terra. Deus fez descer Seu Espírito sobre Jesus para torná-lo o centro de “uma aliança do povo”, o libertador dos cativos, a luz das nações. Jesus, como nos diz a segunda leitura deste domingo, é Aquele longamente esperado por Israel, “ungido (…) com o Espírito Santo e com poder.”

A palavra Messias significa “ungido” com o Espírito de Deus. O rei Davi foi “o ungido do Deus de Jacó” (ver 2 Samuel 23:1-17; Salmo 18:51; 132:10, 17). Os profetas ensinaram a Israel que aguardasse um rebento real que brotaria de Davi, e sobre quem o Espírito repousaria (ver Isaías 11:1-2; Daniel 9:25).

É por isso que pessoas de interior da Judéia, e todos os habitantes de Jerusalém, iam atrás de João. Mas não era por João que eles procuravam. Deus confirma, com Sua própria voz, o que o Anjo já tinha dito anteriormente a Maria: Jesus é o Filho do Altíssimo, vindo para reivindicar o trono de Davi para sempre (ver Lucas 1:32-33).

No Batismo que Ele traz, a voz de Deus pairará sobre as águas como uma chama de fogo, conforme cantamos no Salmo de hoje. Ele santificou as águas, fez delas uma passagem, um caminho para a cura e a libertação, fonte de um novo nascimento e de vida eterna.

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