A crise doutrinal da Igreja, agora muito evidente, produz uma práxis cega que persegue objetivos muitas vezes equivocados e até desumanos, materializados em diálogo simplista com o mundo e caridade demasiadamente humana.

Um lugar decisivamente privilegiado desse engano, na Igreja de hoje, é a escola, dentro da qual professores católicos não sabem mais como se posicionar, especialmente se são professores de religião da escola pública, mas também os das escolas confessionais. Tanto aqueles como esses são obrigados a aplicar as diretrizes do novo programa da disciplina de Educação Cívica.

Se seguirem a reta moral, as diretrizes a serem aplicadas seriam o contrário do que espera o Ministério da Educação. Portanto, para o professor católico, a consciência estará inevitavelmente dividida, já que as diretrizes para o ensino de Educação Cívica falam de ambientalismo, da Constituição, das Metas da ONU para 2030…

Na escola de hoje, é preciso coragem para ensinar que a Criação não é só natureza; que a Constituição só deve ser respeitada se respeitar princípios superiores a si mesma (caso contrário, não); que os objetivos da ONU não podem ser aceitos, porque são contra a vida e a família. Muitos professores até que teriam coragem de resistir, se fossem estimulados pelos pastores.

Contudo, se a Santa Sé apoia os objetivos da ONU que preveem o aborto, por que eu arriscaria ensinar o contrário — eu que não passo de um simples professor católico de uma pobre escola qualquer, numa qualquer cidade italiana por aí, mesmo que receba censuras do setor responsável da diocese?

Será mesmo necessário haver uma disciplina que ensine religião católica só na aparência, mas com a qual a Igreja, no fundo, só se presta a difundir a ideologia de Estado imposta pelo Ministério da Educação?

Multiplicam-se, hoje, os casos de católicos contraditados por seus pastores, abandonados na linha de frente. Tais pastores argumentam que, hoje em dia, não há mais linha de frente, pois as lutas da Igreja com o mundo já acabaram, quando a verdade é bem outra: os inimigos não desapareceram, apenas se transferiram de fora para dentro da Igreja.

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