Somente uma vez,
No universo inteiro,
O Verbo se fez
Carne (e de cordeiro).
Foi quando Maria,
De graça banhada,
Bem-aventurada
Pelo Criador,
Humilde aceitava
Ser a doce escrava
Do divino amor.
Repleta de graça,
Disse a Gabriel:
— Em mim que se faça
O que manda o Céu.
E a moça mais rara,
Que não se deitara
Com homem nenhum,
Humilde entregou
Seu corpo ao Senhor,
Nosso Pai comum:
O Espírito Santo,
Que tudo germina,
Cobriu-a com o manto
Da sombra divina.
Desde então, a doce
Esposa da Luz
Sob o seio trouxe
O Cristo Jesus,
Cujo sangue veio
Daquela Maria
Que aleitou no seio
A divina cria.
No entanto, os que temem
Ao Pai, neste exílio,
Sabem que este Filho
Não nasceu de sêmen,
Mas da sombra santa
Que, ao cobrir Maria
Com divina manta,
De Deus a envolvia.