Uma livraria e editora católica me oferece por e-mail um box com quatro livros que, não sei por que, estão sendo vendidos em livraria católica.

Se ao menos fossem livros de autores não-católicos, mas que, no tratamento dos assuntos, se aproximassem da visão católica, tudo bem.

Mas não: são pontos de vista que não convergem conosco.

A intenção parece ser a do “diálogo inter-religioso”: mostrar ao mundo como os “católicos progressistas” são abertos às mais diversas concepções antropológicas e religiosas, sem ficar a todo instante provocando para o debate.

“Debate” está se transformando em uma palavra proscrita, do mesmo campo semântico de “fascismo” e “negacionismo”. Convidar para o debate equivale quase a “cancelar” (mais uma palavra que circula por aí) o ponto de vista alheio.

Fico me perguntando o que ganha esse “diálogo inter-religioso”, se não for para realmente dialogar — mas dialogar com franqueza, à maneira socrática, sem receio das confrontações civilizadas.

Eis uma verdade que anda bastante esquecida: as confrontações também podem ser civilizadas. Não haveria nenhum problema no fato de uma editora católica nos oferecer por e-mail um box com livros, cujos pontos de vista não convirjam conosco — desde que isto seja avisado na mensagem, seguido de um convite ao debate intelectual com essas pessoas que estão do lado de lá (ateus, agnósticos, espíritas, budistas etc.), inimigos de ideias que Nosso Senhor mandou amar.

Do contrário, o “diálogo inter-religioso” não passaria de mera vênia multiculturalista, expressão de um desejo, hoje bem difuso em muitos círculos da Igreja, de abrir-se ao mundo não para converter, mas para ser por ele convertido, como se uma fé adulta devesse ser obrigatoriamente uma colcha de retalhos.

Vou mandar um e-mail de volta à essa livraria e editora católica perguntando se eles ainda têm em catálogo algum autor católico.