Como sabemos, a guerra contra a cloroquina que se desencadeou nos últimos meses é um dos vários episódios estranhos e misteriosos desta epidemia. Já havíamos sublinhado que é muito estranho que se questione a segurança e eficácia de um medicamento que conhecemos e usamos há 80 anos, e que foi usado com sucesso em 2002-2003 contra o Coronavírus da primeira SARS. A prestigiosa revista britânica Lancet, em 2003, dedicou-lhe um interessante estudo, publicado na Lancet Infectious Disease de 23 de outubro de 2003, com o título “Effects of chloroquine on viral infections: an old drug against today’s diseases” (“Efeitos da cloroquina nas infecções virais: uma velha droga contra infecções atuais.”).

Os autores resumiram a utilidade desta droga da seguinte forma: “A cloroquina é uma 9-aminoquinolina conhecida desde 1934. Além de seus conhecidos efeitos antimaláricos, a droga tem propriedades bioquímicas interessantes que podem ser aplicadas contra algumas infecções virais. A cloroquina exerce efeitos antivirais diretos, inibindo as fases dependentes do pH de replicação de vários vírus, entre os quais membros de flavivírus, retrovírus e coronavírus. Seus efeitos mais bem estudados são aqueles contra a replicação do HIV, que foram testados em estudos clínicos. Além disso, a cloroquina tem efeitos imunomoduladores, suprimindo a produção/emissão do fator de necroses tumorais α e da interleucina 6, que medeiam complicações inflamatórias de várias doenças virais. Examinamos as informações disponíveis sobre os efeitos da cloroquina nas infecções virais, abordando a questão de se este antigo medicamento poderia ser eficaz no manejo clínico de doenças virais como a AIDS e a síndrome respiratória aguda grave, que afligem a humanidade na era da globalização”.

Nos últimos meses, porém, em face do uso bem-sucedido da droga contra a Covid, não faltou quem destacasse os possíveis efeitos colaterais, principalmente cardíacos. Daí a decisão da AIFA [Agência Italiana de Medicamentos] de negar seu uso terapêutico contra o Coronavírus. O estudo do professor Alessandro Capucci sobre a hidroxicloroquina — escrito com mais seis colegas e envolvendo 58 clínicos gerais — é extremamente significativo, em especial por ter sido conduzido por um cardiologista. Seu estudo desmonta, com muitas evidências, a alegada nocividade da cloroquina ao coração, além de demonstrar — mais uma vez — que a solução da terapia domiciliar é a correta: um bom caminho a percorrer, não só para evitar a superlotação dos hospitais, mas também para tratar e curar eficazmente os doentes.

Capucci nos traz a evidência de que a hidroxicloroquina, sozinha ou em combinação com o antibiótico azitromicina, demonstrou ser eficaz no evitar evoluções clínicas desfavoráveis ​​na doença da Covid, especialmente se administrada precocemente em casa. A lógica é bloquear o desenvolvimento do processo inflamatório, que é a principal causa de graves danos ao organismo. Trata-se de um conceito que vários clínicos vêm repetindo, já há algum tempo, mas que não parece receber grande atenção das instituições sanitárias, por motivos que permanecem absolutamente incompreensíveis.

O Professor Capucci conduziu sua pesquisa com a colaboração de médicos de clínica geral, aos quais indicava o uso da cloroquina na casa dos pacientes. A terapia era iniciada mesmo sem esperar pelo resultado dos testes nasofaríngeos, o que é um detalhe muito importante. No tratamento da Covid, a rapidez da intervenção é fundamental. Com muita frequência, entretanto, os clínicos gerais contatados por pacientes que sofriam de sintomas atribuíveis à Covid, se limitavam a prescrever o teste e aguardar o resultado, receitando apenas antipiréticos.

No estudo do professor Capucci, 58 clínicos gerais trataram 350 pacientes com hidroxicloroquina nos primeiros sintomas de gripe; em 76 deles, a azitromicina também foi associada. Dos 274 pacientes, tratados apenas com hidroxicloroquina, 95% não necessitaram de hospitalização posterior.

E as complicações temidas pela OMS e Aifa? Sintomas menores (principalmente gastrointestinais, diarreia) ocorreram em 2,9% das pessoas tratadas.

E complicações cardíacas? Não houve relato de arritmias significativas, nem de síncope ou outros sintomas.

Portanto, é uma terapia eficaz, segura e praticável em casa. Os ensaios randomizados em andamento fornecerão confirmação científica adicional desses dados prospectivos preliminares. Entretanto, é importante que os médicos saibam que há à disposição uma possibilidade notável de tratamento, e que podem utilizá-la livremente.

https://lanuovabq.it/it/covid-la-clorochina-funziona-per-bloccare-linfezione