(…) Lembro-me que, quando estudei teologia, um professor disse em aula, aduzindo argumentos lógicos, que tomar um sorvete em um dia quente também tem valor eterno, e, se estou na graça de Deus, aumenta minha glória eternamente.

Estamos acostumados a pensar que só o que dói tem valor para a eternidade. Não é assim. Se alguém está na graça de Deus, todo ato livre tem valor positivo para a eternidade. Isso enriquece muito nossa maneira de entender nossa vida. Não há nada de inútil se for feito em união com Deus!

Os santos o perceberam. Conta-se de Santa Teresa de Jesus que, em certa ocasião, lhe serviram um frango assado numa refeição, e que alguém, com certa malícia, começou a dizer:

— “Ora, ora, que vida boa levam as monjas, em vez de fazer penitência”

E ela respondeu:

— “Quando é hora de fazer penitência, penitência; e quando é hora de comer galinha, venha a galinha!” (…)

(Padre Manuel Carreira S. J., Verdad, ciencia y fe, p. 35)