Foi em 1969 que o líder do grupo parlamentar trabalhista britânico, Douglas Houghton, pediu a intervenção do Estado para desencorajar os nascimentos, reduzindo a assistência e os subsídios para famílias numerosas, enquanto Lord Sorensen declarou: “Devemos encorajar a esterilização”. Enquanto isso, Paul Ehrlich, biólogo da Universidade de Stanford e autor de A bomba populacional, previu pobreza e fome para a Inglaterra, em um simpósio no Instituto de Biologia de Londres, falando sobre o tema “A população ideal para a Grã-Bretanha”: “Se eu fosse jogador, apostaria que a Inglaterra não existirá mais no ano 2000, e dez contra um que o padrão de vida do inglês médio será inferior ao atual.” Passaram-se cinquenta anos, a expectativa de vida na Inglaterra aumentou dez anos e o padrão de vida sofreu uma transformação radical. No entanto, a ideia de que a redução da população é necessária para diminuir o impacto ambiental ainda está na raiz de todos os clamores antropofóbicos verdes, incluindo o eco-fascismo dos dois atentados em Christchurch (Nova Zelândia) e o de El Paso (Texas).

Atualmente, estão aparecendo outdoors em muitas cidades da América do Norte, de Vancouver a Minneapolis, em pontos de ônibus e também ao longo de rodovias. Uma criança sorridente observa os passageiros. E, a seguir, o anúncio: “O maior presente de amor que você pode dar ao seu primeiro filho é não ter outro filho”. É uma série de anúncios (um outro diz que “o conservadorismo começa na concepção”) financiados pela World Population Balance, uma organização ecológica dos Estados Unidos. Dave Gardner, o diretor, diz que apoia uma solução “ética, humanitária e voluntária” para a superpopulação. E é uma propaganda que acaba funcionando.

Uma pesquisa da Morning Consult para o New York Times mostra que um terço dos homens e mulheres, entre 20 e 45 anos, citam as mudanças climáticas como fator em sua decisão de não ter filhos. Os dados do Morning Consult também descobriram que 11% dos adultos sem filhos dizem que a mudança climática é a “principal razão” pela qual eles não os queiram. “O congestionamento começa na concepção”, anuncia outro manifesto em defesa do “filho único eco-sustentável”… São utilizadas imagens de tráfego e incêndio. A mensagem é clara: “Tenha filhos e você aumentará as filas nas ruas e o risco de desastres naturais”. Já a seção child free é sedutora: jovens casais sem filhos se abraçam, se beijam, se deleitam em piqueniques. Eles dizem que são a favor de uma “redução drástica e voluntária dos nascimentos”. E se não der certo, o biólogo Ehrlich sempre tem a solução seguinte: tributação de produtos para bebês (“berços, fraldas, jogos, comida de bebê”), encher as escolas de educação sexual, tornar o acesso ao aborto ainda mais fácil e campanhas de esterilização no estilo chinês, com implantes de prevenção de parto .

Os malthusianos nunca foram bons em previsões. Mesmo assim, os “colapsólogos” persistem e são muito populares na França. O ex-ministro do Meio Ambiente, Nicolas Hulot, e Frédéric Lenoir, ex-diretor do Monde des Religions, acabam de escrever um livro a quatro mãos para a editora Fayard, D’un monde à l’autre, le temps des consciences [“De um mundo ao outro. O tempo das consciências”]. É um manifesto a favor do declínio econômico e demográfico, como forma de afrontar um mundo cheio de aquecimento climático, desigualdades sociais e recursos escassos. Ainda mais direto é o título do livro de Hervé Kempf para Seuil: Que crève le capitalisme [“Que o capitalismo arrebente!”].

“Os ambientalistas estão trabalhando concretamente para agravar nossa desvantagem tecnológica diante da Ásia Oriental, que assiste ao nosso suicídio geopolítico”, disse Laurent Alexandre, médico, divulgador científico, ensaísta liberal e fundador do site Doctissimo, e que acaba de publicar o livro Jouissez jeunesse! [“Aproveita, juventude!”], um manual para os que optam por não acreditar no fim do mundo. “Enquanto gritamos ‘o planeta está pegando fogo’, a China está conquistando a liderança tecnológica mundial. Cada passo geopolítico será pago caro por nossos netos. Ao ceder às injunções de decrescimento, estamos destruindo o seu futuro. A onda colapsista aumenta à medida que o centro de gravidade do mundo se afasta da Europa. Eles querem uma queda acentuada na produção e, portanto, no poder de compra, o que enfraqueceria a democracia. O discurso do colapso está levando a Europa ao suicídio. O medo neurótico do exercício do poder impediu a Europa de entender que uma gigantesca guerra tecnológica está em curso entre os Estados Unidos e a China”.

Devido a esse preconceito ideológico anti-crescimento, a Europa entrou em colapso na maioria dos setores-chave para o futuro: “Telefonia, inteligência artificial, nanotecnologias, agricultura GM (alimento geneticamete modificado), espaço, defesa cibernética. O holofote da história está apontado para outro lugar. Já quase não olhamos para a Europa com inveja, exceto para ter acesso aos seus consumidores e ao seu poder de compra. A Europa já não é um exemplo, mas uma presa voluntária”. Greta Thunberg é o modelo desta geração gnóstica que se imola. “É a ferramenta ideal para forçar os jovens a reduzir drasticamente suas liberdades: os aiatolás eco-catastrofistas os convencem de que arderemos no inferno do aquecimento global, a menos que aceitem uma ditadura verde. Seguir Greta pioraria o aquecimento global, aumentaria o desperdício de dinheiro público, levaria a uma ditadura verde regressiva e nos deixaria à mercê da China e da Rússia. Lênin chamou os burgueses de esquerda de idiotas úteis da revolução; os jovens que seguem Greta são idiotas úteis das assim chamadas empresas de energia renovável.

A morte de todos os modelos marxistas — da Coreia do Norte à Venezuela, de Cuba ao Camboja de Pol Pot — deixou os antiliberais perdidos. O catastrofismo ecológico, e sua série de pânicos, são a ferramenta ideal para propor uma nova utopia, que substitua a ditadura marxista. Ao instrumentalizar os jovens, impõem uma agenda liberticida em nome dos bons sentimentos. A estratégia antipânico é devastadora: 27% dos australianos, com idades entre dez e quatorze anos, acreditam que o mundo acabará antes de se tornarem adultos. Parar o desenvolvimento econômico levaria a guerras e fomes, impedindo os países do Terceiro Mundo de limpar o meio ambiente. O fervor quase religioso, que rodeia esta profetisa do fim do mundo e do decrescimento, que é Greta, é o símbolo de uma democracia que se tornou histérica, na qual a emoção prevalece sobre a razão. Não acredito que estejamos no fim dos tempos e acho que o mundo de hoje é melhor do que em 1750, 1900 ou 1960. Ao fomentar os piores cenários à nossa frente, os ecologistas fanáticos nos impedem de ver os verdadeiros desafios. Incapazes de imaginar um futuro positivo, de ser entusiastas da humanidade, abandonamos o campo de batalha do futuro. Numa altura em que a Europa deveria se mobilizar para travar o declínio industrial e científico, este discurso quase delirante paralisa e ameaça tirar-nos da história”.

A ecologia política é uma concentração incrível de más notícias e falsas boas ideias: “Organizar o decrescimento, isto é, o declínio do poder de compra; reduzir a demografia europeia para acomodar melhor os migrantes; reduzir a população limitando a assistência aos idosos enfermos; bloquear as tecnologias mais avançadas; reduzir o comércio e o transporte; limitar as liberdades individuais para reduzir a “emissão de carbono” dos cidadãos; promover tecnologias frugais e ancestrais… Apenas medidas de redução são aceitáveis… Somente é aceitável a flagelação… O ambientalista Bruno Latour chegou a propor o uso de camisa de força contra cientistas que apoiam a geoengenharia.”

Segundo Laurent Alexandre, o ambientalismo tornou-se uma religião. “A ideologia verde é fundamentalmente religiosa: só que, em vez de pedir perdão a Deus, pedimos perdão à Natureza. O colapso do cristianismo no Ocidente abriu o caminho para essa nova catequese. O discurso ambientalista retoma a história da Queda, que está no Gênesis: no início era o paraíso terrestre, os homens provaram da árvore do conhecimento, e Deus os enxotou. É paradoxal e engraçado que isso aconteça, enquanto a Europa nega as suas raízes cristãs. A ecologia desperta, em seus seguidores, delírios de mortificação que os tornam prontos para qualquer sacrifício: arrependimento, mortificação, catequese, apocalipse, contrição. O Papa Francisco convida seus seguidores a confessarem seus pecados contra o meio ambiente”.

Como podemos ver nesses anúncios publicitários, a maioria dos ambientalistas são radicais malthusianos. Eles odeiam o homem. “O ex-ministro do Meio Ambiente, Yves Cochet, explica: ‘Não ter mais de um filho é o primeiro gesto ecológico’. A ecologia política nos torna desumanos. Da defesa da papoula ao fascismo verde, é só um passo. A transição do amor pelas libélulas para a doutrina da morte é plenamente possível. São etno-masoquistas: propõem o desaparecimento da civilização ocidental para dar lugar aos migrantes. Os jovens dizem nas redes sociais: ‘Não quero ter filhos, para reduzir a minha emissão de CO2 …’. É triste porque, excluindo a imigração, a população está em colapso na Europa, ao contrário da África”.

E se você se opõe ao programa deles, se transforma em inimigo da humanidade. “Trinta anos atrás, a ecologia era uma corrente simpática de ideias, tingida de romantismo, com um perfume levemente hippie. Está, agora, se tornando um programa totalitário, violento, com anátemas e fogueiras. A ecologia política tenta convencer a opinião pública de que apenas uma mudança radical de regime, incluindo o declínio das liberdades e o abandono do conforto, pode salvar o planeta. Os ambientalistas radicais entenderam perfeitamente que, para trazer as pessoas para a Cruzada Verde, é preciso aterrorizá-las”.

Precisamos de bodes expiatórios. “Os abutres ideológicos manifestaram-se a favor da morte pelo Covid-19. Os cínicos explicam que o vírus é bom e sublinham as mudanças necessárias. O sofrimento das pessoas é usado para condenar a economia de mercado e o progresso. Acolhemos com fervor a vingança da natureza sobre nossa arrogância”. Embora as questões climáticas e energéticas sejam importantes, a aventura humana não pode ser reduzida a uma obsessão pelo CO2.

Os jovens devem gerenciar [no futuro imediato] seis revoluções simultâneas, sem precedentes na história: revolução econômica, com a redefinição da produção; revolução geopolítica, com a concentração da riqueza global nas metrópoles; revolução da mídia, com o controle dos fluxos de informação nas mãos dos colossos digitais; revolução política, com o enfraquecimento da verdade na época de demanda por democracia direta; revolução ética, com a industrialização da vida, a criação artificial de crianças e a manipulação do nosso DNA e do nosso cérebro; revolução filosófica, com a reescrita dos objetivos da humanidade pelos nossos poderes demiúrgicos; revolução civilizacional, com neurotecnologias e inteligência artificial por meio da explosão de habilidades computacionais. O Humanismo 2.0 é o canteiro de obras do século e a responsabilidade dos jovens é imensa. O Homo Deus deve ser domesticado! Que os jovens aproveitem a sua juventude!”.

O intelectual ecológico Bruno Latour escreveu, no Le Monde: “O apocalipse é emocionante”. Não, não é: está levando os países ricos ao suicídio, seus filhos ao Prozac e tornando real o verso de T. S. Eliot: “É assim que o mundo vai acabar: não com uma explosão, mas com um lamento” (“The Hollow Men”, 1925).

http://www.radiomaria.it/il-mondo-non-finira-oggi-contro-gli-ecocatastrofisti-che-vogliono-portare-loccidente-al-suicidio