Vai crescendo, no Brasil, o movimento de cristãos católicos e protestantes pelo direito de educar os filhos em casa, tamanho é o descontentamento com as diretrizes que orientam o ensino fundamental no país, tanto nas escolas públicas como nas privadas. É digno de nota o que fez a Câmara Municipal de Cascavel, no Paraná: admitiu, em lei votada no último 25 de setembro, a modalidade da educação domiciliar no sistema municipal de ensino daquela cidade.

Ainda é muito grande a rejeição a essa forma de ensino. Em muitos países ditos democráticos — entre eles o Brasil —, prevalece na educação um pensamento semelhante ao do Terceiro Reich nazista: basta dar uma espiada na lei que assinou o Führer no dia 6 de julho de 1938, um pouco antes de estourar a Segunda Grande Guerra. Essa lei impunha a Schulpflicht (educação obrigatória) e proibia a educação doméstica — que os americanos chamam de homeschooling —, fundada nos valores morais e religiosos dos pais. A Schulpflicht exigia que todas as crianças recebessem educação do estado nazista.

A seguir, trechos da lei nazista:

1. “Educação obrigatória. No Reich alemão, há uma escolaridade obrigatória para todos. Ela garante a educação e instrução da juventude alemã no espírito do nacional-socialismo. Todas as crianças e jovens de nacionalidade alemã que tenham a sua residência habitual na Alemanha estão sujeitos à escolaridade obrigatória.”

2. “A educação obrigatória é cumprida pela frequência a uma escola alemã do Reich. A autoridade supervisora da escola decide sobre as exceções.”

3. “Frequência escolar obrigatória. Crianças e jovens que não cumpram a obrigação de frequentar a escola primária ou profissional são admitidos à força na escola. Nesse caso, pode-se pedir ajuda à polícia.”

4. “Disposições penais. Quem violar intencionalmente, ou por negligência, as disposições sobre a escolaridade obrigatória, é punido com multa de até 150 reichsmarks [moeda oficial da Alemanha entre 1924 e 1948] ou cumprirá pena na prisão, a menos que uma pena mais pesada esteja prevista em outras leis.”

Não só os nazistas não gostam da “educação domiciliar”: também os socialistas não a aceitam, pois ela é individualista e burguesa, impedindo o ensino sem classes, em que todos seriam adestrados pelo Estado e para o Estado. Não é muito diferente do que pensam os liberais globalistas, que não gostam do homeschooling, pois ela favorece as soberanias nacionais, o apego manifestações culturais particulares e dificultam a assimilação dos valores pós-modernos, como o casamento gay, o ambientalismo panteísta, o aborto.

O professor Fausto Zamboni, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, publicou recentemente um pequeno livro, A opção pelo homeschooling (editora Kírion), em que revela por que ensinar os filhos em casa não é tão absurdo assim, mas pode ser uma saída honrosa para a lamentável crise educacional de nossa época, promovida tanto por socialistas latino-americanos, como por liberais globalistas.