No domingo passado, o nosso pároco Antônio teve um sonho: os paroquianos faziam fila em frente aos confessionários para se libertarem dos seus pecados. Nesta semana, esse sonho se tornou realidade.

Infelizmente, não foi diante dos confessionários que vimos as filas, mas sim à porta de laboratórios de análises clínicas.

Não vieram à procura da doce absolvição que alegra, mas do teste de Covid que preocupa.

Não fizeram introspecções na alma, mas deixaram entrar cotonetes dolorosos em seus narizes.

Não buscavam a misericórdia reconfortante, mas o diagnóstico implacável.

No entanto, esses testes têm um resultado incerto, enquanto a absolvição é sempre bem-sucedida.

A pena para os culpados de contágio é, ela própria, terrível: catorze dias de prisão e, sobretudo, uma mensagem humilhante a todos os seus familiares, para lhes dizer que foram expostos a um terrível perigo pelo simples fato de lhes ter falado ou sorrido. Já a penitência para os pecadores arrependidos é uma penitência suave: um agradecimento que faz sentir quanto é grande o amor de Deus.

Ah, se os cristãos estivessem tão preocupados com sua saúde espiritual quanto estão com o Covid!

Seríamos mais felizes e mais livres se a santidade fosse uma questão de saúde pública.

Somos todos pecadores: não é preciso um teste para descobrir. Mas a verdadeira doença é não ver o seu pecado e não se importar com ele. Aceitaremos viver todos os dias com demônios morando em nossos corações, essas más companhias das quais temos todo o interesse em nos livrar?

Se tivéssemos a mesma vigilância contra o pecado como temos com o Covid, usaríamos, em vez de máscara, uma medalha milagrosa em volta do pescoço e um rosário no bolso. Como gesto de distanciamento, faríamos o sinal da cruz e uma oração silenciosa sempre que, por olhares ou pensamentos impuros, corrêssemos o risco da contaminação pelo pecado. Em vez de confinamento sanitário, faríamos uma oração silenciosa, por alguns minutos, em lugar reservado.

Sim, jornalistas e políticos têm razão: há muitas lições a aprender com esta crise sanitária. Queridos paroquianos, reaproximem-se de Deus com o mesmo empenho com que vocês têm mantido o vírus à distância. Rendam-se a Cristo, verdadeiro médico das almas: tornem realidade o sonho do Padre Antônio!