Quando se noticia algum ataque de jihadistas — como aconteceu há alguns anos com o Isis, disposto a criar pela guerra e o terror um Estado Islâmico entre o Iraque e a Síria, com imagens terríveis espalhadas pela mídia, sobretudo contra os cristãos que vivem por lá —, geralmente os comentários da mídia ocidental insistem que esses terroristas não representam o verdadeiro Islam, mas são o seu desvirtuamento.

Outra, porém, é a impressão do leitor depois que fecha a última página de um livro como o do iraquiano Joseph Fadelle, O preço a pagar, publicado há dez anos na França e lançado no Brasil, pela editora Paulinas, em 2013. O autor, convertido do islamismo ao cristianismo católico, não deixa dúvidas: o terrorismo islâmico não surge do nada, mas assenta suas bases, como tudo no mundo, na vida familiar.

Um bom exemplo dessa ligação íntima da família com o que ocorre no resto da sociedade está na vida do cidadão Joseph Fadelle, pertencente a um rico e poderoso clã iraquiano (o Iraque, até a época de Sadan Hussein, ainda tolerava a existência de minorias cristãs, presentes no país desde o início do cristianismo).

Tudo começou quando Joseph tinha pouco mais de vinte anos. Era 1987, e ele servia o exército na guerra contra o Iran, quando conheceu, casualmente, um cristão católico, através do qual entrou em contato com a Bíblia, convertendo-se depois da leitura do Evangelho de São João.

Manteve, porém, em segredo a conversão, para evitar conflitos com a família. Procurou em segredo um padre, que iniciou sua catequese, recusando-se porém a batizá-lo por medo de ser acusado de proselitismo, considerado um grave delito, se praticado por cristãos.

Cinco anos mais tarde, já com vinte e oito anos, seu pai decidiu casá-lo com uma jovem desconhecida, de vinte e quatro anos. Sempre mantendo em segredo a conversão, aceitou a vontade paterna. Nascido o primeiro filho, a esposa descobriu seus encontros com o padre e o abandonou, mas Joseph conseguiu que voltasse à casa e também se convertesse, depois de uma leitura comparativa entre a Bíblia e o Corão.

A esposa passou a acompanhar o marido nas catequeses secretas, que o padre ministrava sempre com a condição de permanecerem sem batismo. Um dia, a família de Joseph descobriu o segredo e o próprio pai o denunciou à polícia, que o torturou e manteve preso por um ano e quatro meses.

Algum tempo depois, debilitado e magro, Joseph decidiu fugir com a esposa e os filhos para uma aldeia cristã da vizinha Jordânia (já havia nascido o segundo menino). Foram acolhidos por uma monja, que cuidou da instalação do casal fugitivo. Depois de muito empenho, encontrou um bispo de coragem que aceitou batizá-los.

Quando a paz parecia ter chegado, os parentes distantes de Joseph descobriram o seu paradeiro. Um tio e três irmãos procuraram, em vão, convencê-lo a voltar. Disse-lhe o tio:

— Tua doença se chama Cristo e não tem cura.

O sobrinho respondeu que não podia renunciar a Cristo, pois Cristo era o oxigênio que respirava:

— Renunciar a Cristo equivaleria a um suicídio!

Desentenderam-se e, em sua fuga, Joseph foi baleado na panturrilha. Acolhido por um cristão local, curou-se e logo migrou com a família para a França. Com a esposa e os filhos, Joseph Fadelle — vítima da própria família —  vive agora no Ocidente, sempre mudando de endereço, pois sabe que no Islam a apostasia só se resolve a bala ou pelo fio da espada.

Esse caso expõe com muita clareza as raízes religiosas e familiares do terrorismo islâmico. Tal é a família e a religião da família, e assim serão seus filhos. Joseph Fadelle e esposa, alimentados pela fé cristã, decidiram romper com o círculo vicioso do ódio, expondo-se corajosa e permanentemente à morte. Por causa de Cristo, viverão escondidos numa Europa cada vez mais cheia de anticristãos ocidentais (que consideram Cristo uma espécie de doença, da qual é preciso defender-se e curar-se) e anticristãos muçulmanos (que, obedientes ao Corão, tudo farão para eliminar o cristianismo).