A misericórdia e o perdão devem estar no centro da vida cristã.

No entanto, como a primeira leitura de hoje nos lembra sabiamente, muitas vezes acalentamos nossa ira e alimentamos nossa raiva, recusando misericórdia àqueles que nos fizeram mal. Mas Jesus, no Evangelho de hoje, é implacável no retrato realista do servo iníquo, que não perdoa a dívida de um colega, apesar de sua lousa ter sido limpa pelo apagador do patrão.

Não deve ser assim no Reino, que é a Igreja. No Antigo Testamento, sete é um número frequentemente associado à misericórdia e ao perdão dos pecados. O justo peca sete vezes ao dia; por isso, havia sete aspersões de sangue para a expiação dos seus pecados (ver Provérbios 24: 6; Levítico 16). Mas Jesus diz a Pedro, no Evangelho de hoje, que devemos perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete. O que significa: sempre.

Devemos ser misericordiosos como nosso Pai do Céu é misericordioso (ver Lucas 6:36; Mateus 5:48). Mas por quê? Por que Jesus avisa, repetidamente, que não podemos esperar perdão por nossas ofensas, a menos que estejamos dispostos a perdoar os outros por suas ofensas contra nós?

A resposta Paulo nos dá na epístola de hoje: pois pertencemos ao Senhor. Fomos todos comprados pelo sangue que Cristo derramou por nós na Cruz (ver Apocalipse 5: 9). Como cantamos no Salmo de hoje, embora mereçamos morrer pelos nossos pecados, Ele não nos trata de acordo com os crimes que cometemos. A misericórdia e o perdão, que  demostramos aos outros, devem ser a expressão sincera de nossa gratidão pela misericórdia e perdão que recebemos de Deus.

É por isso que devemos nos lembrar sempre de nossos últimos dias, esquecer nossas inimizades e deixar de julgar os outros. Sabemos que um dia estaremos no banco dos réus e prestaremos contas do que fizemos com a nova vida que nos foi dada por Cristo (ver Romanos 14:10, 12).

Portanto, perdoemo-nos uns aos outros de coração, ignoremos as faltas mútuas e esperemos a coroa de Sua bondade e compaixão.

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