No dia em que se comemora a Independência do Brasil, é importante recordar, segundo a doutrina comum entre os teólogos, que não só os homens em particular, mas também os países estão sob a proteção de um anjo tutelar especialmente designado por Deus para essa missão.

Com efeito, ensina o Doutor Angélico que Deus, assim como constituiu a certos anjos causas secundárias e ministeriais para executar os desígnios de sua Providência sobre cada homem, também constituiu a outros custódios universais (cf. Suma Teológica, I 113, 3 c. e ad 2), incumbidos de proteger e conduzir à beatitude celeste os coletivos humanos, que são, ao seu modo, uma só pessoa moral.

Ora, se já são inumeráveis os benefícios que sobre cada homem derrama o seu respectivo anjo da guarda, não há dúvida de que são imensas as vantagens que trazem para cada povo e nação o anjo tutelar que é por ela devidamente respeitado e invocado [“É uma doutrina universalmente aceita que existem certos anjos tutelares coletivos, isto é, exercem sua custódia sobre uma determinada coletividade mais ou menos grande. Essa crença se baseia em certas expressões das Sagradas Escrituras, por exemplo, aquelas relativas aos anjos da Pérsia, Grécia e Israel. (cf. Daniel 10, 13-21). A própria Igreja parece aludir a esta crença na Liturgia das Completas, onde há uma oração especial pedindo a proteção ‘dos santos anjos que habitam este lugar’. Acredita-se que o arcanjo São Miguel seja o anjo da guarda da Igreja Católica, por sua particular excelência e poder”. Antonio R. Marín, Dios y su obra. Madrid: BAC, 1963, p. 412, n. 414.].

Rogando, pois, ao Santo Anjo da Guarda do Brasil, peçamos-lhe que a nossa querida nação, que nos nutriu e formou, reencontre o caminho que o Senhor lhe tem traçado e se torne efetivamente um país de fé e de obediência à Igreja: uma Terra de Santa Cruz.

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