Alberto Caturelli en el Centro Pieper

O humanismo, em sua plenitude, era impossível no pensamento antigo: a necessidade universal, a ausência da noção de criação, a negatividade da matéria na ordem cósmica, gnosiológica e moral, o movimento circular — eram ou encobriam mitos pré-racionais e pré-filosóficos que tornavam impossível o desenvolvimento da filosofia como ciência natural.

O acontecimento da Revelação Cristã desmistificou o pensamento antigo e permitiu que a própria filosofia progredisse como filosofia. Santo Tomás disse que os pensadores antigos andavam como que às apalpadelas e que “foram descobrindo a verdade pouco a pouco”.

A natureza ferida atingia, então, a sua plenitude: “Não vim abolir, mas dar plenitude” (Mt 5, 17). É evidente que o Senhor se refere, imediatamente, “à lei e aos profetas”; mas, mediatamente, podemos sustentar que também se refere à lei natural inscrita nos corações dos homens (Rm 2,15), que carrega toda a contribuição positiva do conhecimento natural. A fé, portanto, transfigurou o conteúdo do antigo pensamento, curando-o e elevando-o ao grau de “novo ser” da nova criatura (Gl 6,15). Tudo o que era velho “tornou-se novo” (2 Cor 5,17).

É verdade que agora se trata da ordem sobrenatural do mistério: porém é igualmente verdadeiro não só a concordância profunda (sem que se confundam) da natureza e da graça, da razão e da fé, mas também que a Revelação tornou possível o eminente desenvolvimento do homem como um todo, na implicação dinâmica de experiência sensível, matéria, inteligência e vontade, sustentada e orientada para o Tu infinito, criador e conservador.

Essa é a base do verdadeiro humanismo: o humanismo cristão-católico. Somente a filosofia católica poderia fundamentar e desenvolver esse humanismo completo.

Digo humanismo católico para não cair em equívocos: não se pode pensar em um humanismo pleno baseado na negação da personalidade (o vazio), como é o caso do eterno Buda do pensamento oriental; nem pode ser experimentado a partir de uma doutrina que nega toda intercessão frente ao absoluto Alá, e afirma o kadar (predestinação) de todas as ações (islamismo); tampouco é possível pensar em um humanismo pleno a partir do divórcio entre natureza e graça, nas múltiplas formas do protestantismo; e, menos ainda, a partir da autodissolução contraditória de um (pseudo) humanismo ateu (para usar a expressão de De Lubac).

O mundo não tem outra esperança senão o catolicismo. Não há outro humanismo pleno, além daquele oferecido pela filosofia, teologia e a mística da Igreja Católica, eminentemente contidos na doutrina de Santo Tomás de Aquino.

(“El humanismo católico y el futuro. Perspectiva de Santo Tomás de Aquino”, p. 217-229. In: L’umanesimo cristiano nel 3º millennio: la prospettiva di Tommaso d’Aquino, v. 2. Cidade do Vaticano, Academia Pontifícia Santo Tomás de Aquino, 2005)

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