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A convenção do Partido Democrata nos EUA (realizada por vídeo de 17 a 20 de agosto) oficialmente nomeou a dupla Biden-Harris, para desafiar Trump-Pence. É formada por dois soldados de confiança da máquina de aborto da Planned Parenthood [a maior organização abortista dos EUA].

Nada de novo sob o sol. Já em 2006 saía um livro que documentava de maneira detalhada como os Democratas se tornaram o partido do aborto, da eutanásia e do infanticídio.

Portanto, não é surpreendente que os Democratas tenham reafirmado seu total apoio à Planned Parenthood na convenção, tanto pela comunhão de (des) valores quanto em gratidão pelo financiamento de seus candidatos.

Que a relação Democratas-aborto é orgânica e não apenas passageira é confirmado no apelo feito, em 14 de agosto, por cerca de uma centena de Democratas, dirigido aos membros da comissão que cuida do programa partidário.

Implorando por algum espaço para posições pró-vida no partido, os políticos signatários haviam solicitado que o programa Democrata de 2020 reintroduzisse a possibilidade da “cláusula de consciência” [recusar determinados atos por convicções religiosas ou morais] de 2000, que certamente não afeta a posição pró-aborto do partido. Além disso, os mesmos signatários haviam pedido, timidamente, que o partido se abstivesse de propor uma lei que definisse o aborto como um “direito” e pagasse os abortos dos contribuintes. Na justificativa de seus pedidos, os signatários alegaram não a inaceitabilidade intrínseca do crime de aborto, mas as consequências políticas de uma posição intransigente do partido, que não permitiria a dissidência, a saber: (1) a discrepância entre as posições Democratas sobre a questão e o pensamento da opinião pública, (2) o risco de perder votos e (3) a traição a valores Democratas como a inclusão. (Note-se bem: não a inclusão de filhos ainda no ventre de suas mães, mas a inclusão, no partido, de Democratas pró-vida).

Mas quem são os signatários deste apelo? Não passam de um governador, alguns políticos aposentados e personalidades sem repercussão nacional. Não assinou nenhum senador (de 45 senadores democratas mais dois “independentes”); e apenas dois deputados assinaram (de 232 democratas na Câmara dos Representantes).

Os dois deputados signatários (certamente pertencentes a uma espécie em franca extinção, senão já extinta) são Dan Lipinski e Collin Peterson. Para deixar Dan Lipinski de fora do próximo Congresso (um homem de cinquenta anos, de Chicago), a Planned Parenthood já tinha tomado as suas providências: depois que Lipinski foi eleito em oito rodadas eleitorais anteriores, os abortistas fizeram com que perdesse as primárias para as próximas eleições, financiando generosamente uma abortista confiável como sua concorrente. Quanto a Collin Peterson, um político de Minnesota que está beirando os 80 anos, os abortistas ainda não conseguiram derrubar.

O apelo pró-vida de 14 de agosto foi prontamente rejeitado: o programa do partido continua firme e claramente abortista, sem a “cláusula de consciência”. Os Democratas têm muito mais em que pensar, e as diferenças internas que os preocupam, de fato, não são aquelas levantadas por uma pequena minoria de políticos pró-vida, mas aquelas entre os extremistas (chamados de “moderados” pela imprensa) e os hiper-extremistas (chamados de “progressistas”) sobre questões que são verdadeiramente caras à esquerda em qualquer latitude: desde o aumento do estado de bem-estar social através da imposição de novos impostos, até a criação de condições ideais para uma revolução permanente.

Moral da história? O apelo pró-vida de 14 de agosto, embora tímido, ainda é alguma coisa. (São Maximiliano Kolbe, em cuja festa foi assinado o apelo, rogai por eles!). No entanto, à luz do que vem acontecendo há décadas no Partido Democrata, a atitude daquela minoria soa mais a canto de cisne do que a resgate de posturas anteriores do partido.

Pode-se continuar a discutir à vontade sobre a oportunidade teórica de uma presença transversal de expoentes pró-vida nos vários partidos. Mas quando, na prática, um partido (como o Democrata) vira as costas a quem se atreve a opor-se ao aborto, é melhor encarar os fatos e chamar esse partido, não pelo que se gostaria que ele fosse, mas pelo que realmente é: um partido firmemente a serviço da incultura da morte.

https://www.marcotosatti.com/2020/08/24/maurizio-ragazzi-i-democratici-usa-il-partito-della-morte/