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[Segundo Rino Cammilleri, não é fácil ser ateu. Não só porque quem deixa de acreditar em Deus acaba acreditando em qualquer outra coisa. Mas, também, porque a ciência surpreende, quando procura demonstrar as verdades da fé. A última que foi demonstrada, em ordem cronológica, foi a imortalidade da alma].

O panteão católico, às vezes, parece quase mais complicado e apinhado do que o universo da Marvel. O crente, de fato, acredita em muitas coisas: em Deus-pai-onipotente, em seu Filho encarnado, morto e ressuscitado, no Espírito Santo que sopra onde quer, em uma divindade una mas também trina, na Virgem Maria, nas hierarquias angélicas (que são realmente muitas : querubins, serafins, tronos, dominações, arcanjos…), em Satanás e seus demônios, nas legiões dos santos & beatos, em milagres, no Paraíso, no Inferno dificílimo de digerir, no ambíguo Purgatório, nas aparições marianas, no poder das relíquias, na eficácia do rosário… Enfim, um monte de coisas para engolir, a maior parte às cegas, pela fé.

Daí a tentação do ateísmo, aparentemente muito mais fácil de digerir e praticar, pois tem apenas um dogma, que pode ser resumido em uma única frase: nada é verdadeiro. Por isso, primeiramente se é ateu (eu não acredito) ou agnóstico (não estou nem aí)…

Mas as coisas são realmente assim? O ateísmo é realmente mais simples do que a religiosidade? Do ponto de vista sociológico, é fácil verificar que, quem não acredita em Deus, acaba acreditando em qualquer outra coisa. Mas G.K.Chesterton já o disse com autoridade e não há necessidade de perder tempo com isto. Pense-se, por exemplo, naqueles que gastam dinheiro com astrólogos e videntes. E pode-se pensar que os cientistas sérios (aqueles que buscam na matéria as respostas para as questões existenciais) sejam outra coisa. Bem, a julgar pelas últimas aquisições científicas, é lícito perguntar-se se é realmente menos complicado acreditar em Jesus.

Um artigo publicado no dia 8 de agosto, na Reccom Magazine, e intitulado “Illusion of Death”, “A ilusão da morte” (antes a língua da ciência era o latim, hoje é o inglês) tem como subtítulo o seguinte: “No universo quântico existimos indefinidamente”.

Bem, é reconfortante sabê-lo, pois certamente tira da morte muito do seu aspecto terrificante. Roger Penrose (ou melhor: sir Roger) é um famoso físico e matemático de Oxford que, com os pesquisadores do igualmente famoso Instituto Max Planck de Mônaco, percebeu que “o universo físico em que vivemos é apenas a nossa percepção; e, uma vez que nossos corpos físicos morrem, há um infinito além”. Ainda bem! Assim me sinto mais seguro. Fiquemos tranquilos, porque, se “o corpo morre, o campo quântico espiritual continua. De modo que somos imortais”. Na verdade, “há um número infinito de universos, e tudo o que poderia acontecer, acaba ocorrendo em algum desses universos.” Ou seja, se eu morrer em um universo, pode muito bem ser que ainda não esteja morto em outro, se é que bem entendi. E mais: nunca se morre de verdade, nem mesmo em outros universos.

Diz o cientista (ou o editor, não está claro): “Embora os corpos individuais estejam destinados à autodestruição, o sentimento vivo, o quem-sou-eu?, é somente uma fonte de energia de 20 watts operando no cérebro. Mas essa energia não vai embora com a morte”. Por quê? “Um dos axiomas mais seguros da ciência é que a energia nunca morre; não pode ser criada nem destruída”.

Mas então, pergunto eu, de onde vêm esses 20 watts de energia quando alguém nasce? Transmigração de almas? Reencarnação? Bem… E o que é a consciência, então? Nada além de “informações armazenadas no nível quântico”. Sim, porque é preciso saber que “microtúbulos baseados em proteínas, um componente estrutural das células humanas, contêm informações quânticas armazenadas em nível subatômico”.

E as “experiências-de-quase-morte”, aquelas em que a pessoa se vê submetida a reanimação e, depois, à luz alegre no fim do túnel? Eles são os microtúbulos. Se, por outro lado, “o paciente não é ressuscitado e morre, é possível que essa informação quântica possa existir fora do corpo, talvez indefinidamente, como alma”.

Você realmente achou que era mais fácil ser ateu?

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