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[O magnata Georges Soros, que apóia e financia com seu dinheiro o movimento ambientalista, campanhas pró-aborto, casamento para todos, faz 90 anos. Está com excelente saúde e ainda joga tênis. Segue trecho de entrevista que deu ao jornalista Steve Kroft, em 20/12/1998, no famoso programa 60 minutes da rede de tevê americana CBS].

— Nos últimos dois anos, acusam-lhe de ter provocado crises financeiras na Tailândia, Indonésia, Malásia, Japão e Rússia.

— Em todos esses países?

— Em todos eles. Você é tão influente assim?

— Apontam-me como o culpado de tudo. A única coisa que faço é ganhar dinheiro. Não posso, nem vou me preocupar com as consequências sociais do que faço. Procuro agir corretamente, mas algumas vezes meus atos provocam consequências negativas não intencionais, como na Rússia. Como parte integrante do mercado, eu concorro para ganhar; como pessoa, me preocupo com a sociedade em que vivo.

— Com qual desses dois Georges Soros estou conversando agora? Com o moral ou o imoral?

— São a mesma pessoa: um homem que de vez em quando comete atos imorais, mas que, em geral, procura viver de maneira moral. Seja eu, ou outra pessoa qualquer, quem executa esses atos no mercado não modifica o resultado final. Eu não me sinto culpado por estar envolvido em atividades imorais, quando não há lugar para a culpa.

— Você é um judeu húngaro que escapou do holocausto, fazendo-se passar por cristão.

— Certo.

— Até onde sei, você estava com seu patrão, que jurou que você era seu afilhado crente.

— Isso mesmo.

— Você confiscou propriedades de judeus.

— Exato.

— Foi difícil?

— Não.

— Nenhum sentimento de culpa?

— Não. Na verdade, há algo engraçado nisso; é o mesmo que acontece com os mercados. Se eu não estivesse lá, naturalmente não teria levado nada. Mas uma outra pessoa o teria feito, de qualquer maneira.