véronique

Véronique Lévy se converteu ao catolicismo em 2012 e se encontra na vanguarda da luta pela vida e pela família, advertindo nossa sociedade dita “moderna” contra certo progresso que só pode ser qualificado de “mortal”.

Com seu belo vestido branco, Véronique parece uma garotinha eslava, dos países do Leste europeu. Ela é a mais nova de três irmãos. Seu irmão mais velho, o escritor Bernard-Henri Lévy (o famoso BHL), é quase vinte anos mais velho. Ela não gosta de falar sobre sua infância. Solitária, tímida, frágil, faltou-lhe o afeto materno. Sua adolescência foi difícil. Arriscou a vida pelas noites, entre bebidas e drogas. Ela se lembra das discussões que teve com Bernard-Henri:

“Ele sempre falava comigo sobre o genocídio, quando eu era jovem. Não digo shoah, porque para mim só existe um holocausto, o de Cristo. Shoah é um termo religioso que significa oferecimento religioso e Deus não pode pedir sacrifícios humanos. Genocídios são atrocidades cometidas por homens: estou pensando nos genocídios de judeus, armênios e no “populicídio” da Vendeia [martírio de católicos durante a Revolução Francesa].”

Depois de sua conversão, em 2010, Véronique deixou tudo para trás: suas deambulações noturnas, seus múltiplos excessos. Ela se lembra que Cristo começou a se aproximar dela desde muito cedo: “Escrevi sobre meu encontro com Jesus em meu primeiro livro, Montre-moi ton visage [Mostre-me a tua face]. Uma amiga, com quem passei as férias em Antibes, quando tinha 3 anos, Coralie, disse-me esta frase que não compreendi de imediato e que era profética: “Se não crê em Jesus -Cristo, você será levada pelos robôs”. Esta palavra ganha sentido num momento em que a PMA [projeto de lei francesa que permite a procriação assistida a todas as mulheres] esconde leis ainda mais abomináveis, aprovadas às pressas na Assembleia Nacional.”

Véronique lembra, também, os sonhos que a conduziram a Cristo: “Quando eu tinha 25 anos, sonhei que estava coberta com um lençol preto grosso e usava uma máscara. Estaca cercada e então comecei a correr, porque corria perigo de morte. Desabei diante da porta de uma catedral. Eu me levantei e corri para dentro. E lá, comecei a ouvir as batidas de um coração. É como se eu me encontrasse em um corpo, no ventre de uma mãe. Eu podia ouvir de dentro o coração de minha mãe. Quando eu olho para cima, vejo Cristo na cruz, gigantesco. Ele me disse: “Que o teu coração de pedra se torne um coração de carne”. E com os braços separados da cruz, atira duas espadas em mim, que perfuram meu coração. Eu acordei nesse momento.”

Em 2010, decidiu virar católica. Conheceu o Padre Pierre-Marie Delfieux, o fundador da comunidade monástica de Jerusalém, que se tornaria seu diretor espiritual. Em 7 de abril de 2012, foi batizada. Foi o dia mais feliz de sua vida: “Eu o vivi como um casamento”. Partiu em viagem para a Terra Santa e aprofundou ainda mais a sua relação com Cristo. Mergulhou na oração, na adoração e nas Escrituras.

Ela, que está preparando o seu quarto livro, tem algo de Maria Madalena: mulher plenamente livre, revestida de uma espécie de armadura cavalheiresca que faz lembrar Santa Joana D’Arc. Hoje, ela compara a legalização do aborto a “um genocídio invisível com lágrimas proibidas”.

“Esta lei não é nem um pouco ética. Chegamos ao que o profeta Daniel chamou de ‘a abominação da desolação’. Daniel fala do templo que foi profanado pelo Anticristo. São Paulo nos diz que nosso corpo é um templo. O próprio Cristo fala do seu corpo como um templo: ‘Destruí este templo e eu o reconstruirei em 3 dias’. E os judeus lhe responderam: ‘Nós o construímos em 46 anos, e você, reconstruiria em 3 dias?’ No entanto, temos 46 cromossomos. Somos o templo da presença de Deus. Deus nos criou à Sua imagem. E, hoje, com essas leis, com o aborto, com essa reprodução assistida para todos, o homem não é mais um templo: ele se torna um objeto. Torna-se objeto de manipulação. Veja, nossas igrejas, nossas catedrais estão ardendo. E agora é a catedral do homem, é o próprio homem, criado à imagem de Deus, que arde e é profanado pelos mercadores do templo dos nossos corpos”.

Há 45 anos, o aborto foi legalizado, permitindo o direito de matar um embrião: um bebê. Hoje, o pesquisador, o médico e o geneticista estão se tornando onipotentes. Aos poucos, vão substituindo Deus para dissecar, manipular, profanar o tesouro da criação: o homem e a mulher, a criança, o mais frágil. Véronique evoca as consequências irreparáveis:

“Eles querem criar quimeras [vírus modificados em laboratório], modificar DNA, selecionar embriões, fazer eugenia, eliminar embriões deficientes. Em outubro passado, o membro do parlamento Philippe Vigier disse que era necessário ‘rastrear embriões portadores de anomalias cromossômicas’. O PMA para todos, além das mulheres homossexuais e solteiras que desejam ter um filho, legaliza a produção de filhos fora da sexualidade, fora de qualquer união. A alteridade — o masculino e o feminino de nossa humanidade — é eliminada. A procriação assistida é uma mentira do Estado. Porque procriação é quando homem e mulher se unem em um ato de amor, na doação total das duas pessoas. Hoje, a mulher não precisa mais do homem.”

O mundo enlouqueceu? Véronique denuncia a “criação artificial de gametas, espermatozóides, ovários, a partir de células-tronco embrionárias”. Denuncia empresas farmacêuticas, como Bayer e Monsanto, que estão em processo de industrialização dessa produção. É por isso que ela clama por um novo Nuremberg.

Em 27 de julho, em sua página do Facebook, que tem quase 9.000 adicionados, Véronique publicou uma postagem que fez barulho: “Proponho uma nova Nuremberg, onde seriam julgados aqueles que legalizaram esse atentado contra a espécie humana, portanto contra Deus.(…) Estamos testemunhando a instauração, em larga escala de um processo que nos conduz a um crime contra a humanidade, contra a espécie humana, contra Deus, nosso Criador — como o aborto, que faz na França, a cada ano, mais de 200.000 vítimas, e desde sua legalização, em 1975, mais de 10 milhões.”

Além disso, não devemos desvincular o que está acontecendo atualmente com essas leis mortíferas, reveladoras da vontade de viver sem Deus. Essas leis contra a vida, contra a família, são contra Deus. Hoje, Herodes faria experiências com Maria e José. Ele tentaria arrancar Cristo, nascido do Espírito Santo, do ventre da Virgem Maria. É a contra-encarnação. É o advento do Anticristo. Desde sua criação, o homem que se afastou de Deus sempre fez sacrifícios humanos. E, hoje, esses sacrifícios estão legalizados, industrializados.”

Véronique conclui com motivos de esperança: “É verdade que a luta está muito difícil. Mas não esqueçamos que, nesta luta contra Deus e contra a humanidade, Deus terá a última palavra.”

Em volta do pescoço, Véronique usa um rosário. Ela nos convida a deixar este hipermaterialismo e a nos refugiar sob o véu imaculado de Maria, “guardiã da inocência do mundo. Denunciar todas estas manipulações do embrião humano (em que Jesus é crucificado, a face do homem é desfigurada e ele é arrancado de sua Paternidade divina) é o testemunho dos últimos dias. Isso é ser testemunha!”

https://www.lesalonbeige.fr/veronique-levy-en-mission-pour-la-vie/