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O totalitarismo está condenado ao fracasso e a liberdade por fim chegará à China. Essas são as palavras apaixonadas que Xu Zhangrun, o professor universitário perseguido pelo regime por suas críticas ao presidente Xi Jinping, escreveu em uma carta dirigida a ex-alunos da Universidade de Qinghua, onde lecionou por anos.

A prestigiada universidade da capital chinesa demitiu o conhecido jurista por “corrupção moral”, imediatamente após sua saída da prisão, em 13 de julho. Ele passou seis dias preso sob a acusação de “promover a prostituição” durante uma visita a Chengdu (Sichuan), no verão passado. Para colegas e amigos, as autoridades inventaram essas acusações com o objetivo de desacreditar Xu Zhangrun, destruir sua reputação e fazê-lo perder o emprego.

O professor de direito já havia sido suspenso do ensino em 2019 por um artigo contra a presidência vitalícia de Xi Jinping. Em fevereiro, ele publicou um artigo em que criticava a “tirania” do Partido Comunista chinês, culpado de haver destruído “o sistema político chinês”, que estava se encaminhando para reformas após a morte de Mao Tsé-Tung.

Em maio passado, às vésperas da sessão anual da Assembléia  Nacional Popular, Xu Zhangrun pediu à liderança chinesa que refletisse sobre sua gestão da pandemia e pedisse desculpas ao povo por seus erros. Segundo o acadêmico, a repressão da sociedade civil e censura à liberdade de expressão, realizada pelo Partido Comunista, impediram a população de reagir de maneira mais rápida ao alarme do Covid-19.

Para ajudar o dissidente, mais de 500 ex-alunos da Universidade de Qinghua arrecadaram 100.000 iuanes (cerca de 12.000 euros). Xu recusou a doação, sugerindo aos organizadores da coleta a destinar o dinheiro a pessoas mais necessitadas; ele diz ainda sentir-se bem disposto e que vai procurar ganhar a vida com seus escritos.

Na carta aberta, Xu Zhangrun ataca o Partido e seus “megafones” (a mídia estatal) de desenhar um quadro róseo da sociedade chinesa, quando na realidade muitas pessoas no país lutam para sobreviver. Para o acadêmico, a China está à beira do precipício. Os líderes do Partido Comunista chinês levam um estilo de vida “extravagante”, enquanto setores da população sofrem: “A maioria dos nossos compatriotas — relatou Xu Zhangrun — mal consegue fazer para a comida e luta para sobreviver”.

Xu Zhangrun também ataca o mundo intelectual chinês, caracterizado no seu entender por “decadência, presunção e conformidade”. Observa a seguir que, enquanto o regime insistir em apegar-se às suas instituições “mesquinhas”, os outros países começarão a se distanciar.

O jurista conclui sua mensagem dizendo que continuará desafiando as autoridades até sua morte: “É nossa responsabilidade e nosso destino enfrentar esses tempos, sofrer, manter viva a chama na noite escura e dar as boas-vindas à aurora”.

http://www.asianews.it/notizie-it/Pechino,-prof.-Xu-Zhangrun:-Il-totalitarismo-del-Partito-%C3%A8-condannato-al-fallimento–50626.html