apocalipse jamais

Em nome de ambientalistas de todo o mundo, gostaria de me desculpar pelo medo climático que criamos nos últimos 30 anos.

A mudança climática está acontecendo, mas isso não é o fim do mundo. Não é nem o nosso maior problema ambiental. Pode parecer estranho que eu diga tudo isso, já que fiz militância pelo clima por 20 anos e fui um ambientalista por 30 anos. Porém, como especialista em energia convidado pelo Congresso americano para dar meu testemunho, e convidado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para ser revisor especialista de seu próximo relatório de avaliação, eu me sinto na obrigação de pedir desculpas pelo modo como nós, ambientalistas, enganamos o público.

Eis aqui estão alguns fatos que poucas pessoas conhecem:

  • Os seres humanos não são a causa de uma “sexta extinção em massa”;
  • A Amazônia não é “o pulmão do mundo”;
  • As mudanças climáticas não agravam os desastres naturais;
  • Os incêndios diminuíram 25% em todo o mundo desde 2003;
  • A área rural que usamos para a carne (o gado é o maior usuário das terras) teve uma diminuição equivalente ao tamanho do Alasca;
  • É o acúmulo de combustível de madeira e a proximidade das casas com as florestas, e não as mudanças climáticas, a causa dos incêndios cada vez mais perigosos na Austrália e na Califórnia;
  • As emissões de carbono vêm diminuindo nos países ricos há décadas e atingiram o pico na Grã-Bretanha, Alemanha e França em meados da década de 1970;
  • Ao se adaptar à vida abaixo do nível do mar, a Holanda se tornou mais rica, e não mais pobre;
  • Estamos produzindo 25% de alimentos a mais do que precisamos e o excedente de alimentos continuará aumentando à medida que o mundo se aqueça mais;
  • A perda de habitat e a matança direta de animais silvestres são ameaças maiores para as espécies do que as mudanças climáticas;
  • O combustível proveniente da madeira é muito pior para as pessoas e a fauna do que os combustíveis fósseis;
  • A prevenção de futuras pandemias depende de mais, e não menos, agricultura “industrial”.

Eu sei que os fatos acima parecerão “negacionismo climático” para muitas pessoas. Mas isso apenas mostra o poder que possui esse alarmismo climático. Na realidade, os fatos acima provêm dos melhores estudos científicos disponíveis, incluindo aqueles realizados ou aceitos pelo IPCC, FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), União Internacional para a Conservação da natureza (IUCN) e outras eminentes organizações científicas.

Até o ano passado, eu evitava me manifestar contra o temor climático. Em parte, por estar envergonhado. Afinal, sou tão culpado por esse alarmismo quanto qualquer outro ambientalista. Durante anos, falei da mudança climática como uma ameaça “existencial” à civilização humana, qualificando-a como uma “crise”.

Mas, sobretudo, eu tinha medo. Fiquei calado sobre a campanha de desinformação climática porque temia perder amigos e bolsas de pesquisa. Nos raros momentos em que tive coragem de defender a ciência climática contra aqueles que a desnaturavam, sofri graves consequências. E, assim, ia me calando, enquanto meus colegas ambientalistas aterrorizavam o público.

Nem mesmo reagi quando pessoas na Casa Branca, e muitos outros na mídia, tentaram destruir a reputação e a carreira de um cientista excepcional, um homem bom e um amigo meu, Roger Pielke, Jr., democrata progressista de longa data e ambientalista que fez campanha pela regulamentação do carbono. Por que fizeram isso? Porque sua pesquisa provou que as catástrofes naturais não se tinham agravado.

Mas eis que, no ano passado, as coisas ficaram fora de controle.

Alexandria Ocasio-Cortez declarou: “Será o fim do mundo em doze anos se não cuidarmos das mudanças climáticas. O grupo ambiental mais proeminente da Grã-Bretanha disse que “as mudanças climáticas estão matando crianças”.

O jornalista verde mais influente do mundo, Bill McKibben, chamou a mudança climática de “o maior desafio que os humanos já enfrentaram” e “destruiria as civilizações”.

Jornalistas mainstream tem dito, repetidamente, que a Amazônia é o “pulmão do mundo” e que o desmatamento tem os mesmos efeitos que a explosão de uma bomba nuclear. Como resultado, metade dos entrevistados do mundo, no ano passado, afirmou acreditar que a mudança climática acabaria com a humanidade. E, em janeiro, uma em cada cinco crianças britânicas disse a pesquisadores que tinham pesadelos por causa das mudanças climáticas…

Não é preciso ter filhos para saber como isso é desagradável. Por ser pai de uma adolescente, admito que o problema me sensibilizou. Contudo, depois que conversamos sobre o assunto cientificamente, ela se sentiu segura, embora seus amigos estejam profundamente desinformados e, portanto, compreensivelmente assustados.

Foi então que decidi que tinha de botar tudo para fora. Sabia que escrever alguns artigos não seria suficiente: era necessário um livro para expor todas as evidências. Desse modo, minhas desculpas formais por ter espalhado o medo assumiram a forma de um novo livro, Apocalipse jamais. Por que o alarmismo ambiental nos faz mal a todos?

Baseia-se em duas décadas de pesquisa e três décadas de ativismo ambientalista. Com 400 páginas, das quais 100 são para as notas finais, o Apocalipse jamais cobre as mudanças climáticas, o desmatamento, os resíduos plásticos, a extinção de espécies, a industrialização, a carne, a energia nuclear e as energias renováveis.

Por que todos nós fomos tão enganados?

Nos últimos três capítulos, expus as motivações financeiras, políticas e ideológicas dos movimentos ambientalistas, que aceitaram centenas de milhões de dólares da indústria de combustíveis fósseis. Grupos motivados por crenças anti-humanistas forçaram o Banco Mundial a interromper seus esforços para acabar com a pobreza, tentando tornar a pobreza “sustentável”. A ansiedade, a depressão e a hostilidade à civilização moderna estão na raiz do alarmismo climático.

A ideologia subjacente ao alarmismo ambiental, o malthusianismo, embora denunciada repetidamente nos últimos 200 anos, está mais poderosa do que nunca. No entanto, há também razões para acreditar que tal alarmismo, se não se esgotar de todo, terá um poder cultural cada vez mais decrescente.

Michael Shellenberger é presidente da Environmental Progress, uma organização independente de pesquisa e política. É autor do recém lançado livro Apocalypse Never: Why Environmental Alarmism Hurts Us All, publicado por Harper Collins

https://www.thegwpf.com/forbes-censored-michael-shellenberger-here-is-his-full-apology/