mosteiro franciscano nos EUA

[Depois de tantas estátuas derrubadas, chegou a vez dos manifestantes “antirracistas” do Black lives matter lançarem por terra a estátua de São Junipero Serra (1713-1784), o franciscano que evangelizou a Califórnia e passou boa parte da vida percorrendo centenas de quilômetros, para batizar e evangelizar os índios. Seu crime? Abrir-lhes as portas de uma civilização superior àquela em que viviam e, sobretudo, mostrar-lhes o caminho que leva ao Céu].

Existe um povo mais cruel e sedento de sangue que o espanhol? Claro que não… A “lenda negra” anti-espanhola impôs-se tão bem, em todos os lugares e com tantos detalhes, que não há necessidade de provas. É assim e basta…

Existem índios e mestiços na América Latina? Sim, e em grande abundância. Existem índios e mestiços na América do Norte? Muito poucos e trancados em reservas. Mas como é sabido que os espanhóis foram os piores colonizadores de todos os tempos (assim como é igualmente sabido que não há nada de mais desumano, violento e sanguinário do que a Igreja Católica), é preciso ir depressa demolir as estátuas de Frei Junipero Serra (1713-1784 ), o  franciscano-menor que foi o apóstolo da Califórnia. Por quê?

Por mais estranho que pareça, em nome das “black lives”, em defesa dos negros americanos que foram escravos e, até algumas décadas atrás, rigorosamente separados da comunidade branca.

Acaso foram tratados assim pelos franciscanos e pelos espanhóis? Não, mas pelos WASP: white, anglo-saxon, protestant (brancos, anglo-saxões, protestantes).

Todas as principais cidades californianas têm nomes de santos e anjos: Los Angeles, São Francisco, São Diego, Santa Bárbara, Santa Fé, Sacramento, para citar só alguns. De onde vêm esses nomes tão estranhos? Do gênio empreendedor do missionário Frei Junipero Serra.

Estamos em meados do século XVIII: em Madrid, com Carlos III de Bourbon, reina o despotismo iluminado (belas palavras!) que, em nome da luz da razão, suprimiu a Companhia de Jesus e confiscou todos os seus bens. Assim que os jesuítas foram expulsos das missões americanas, em 1767 (os padres tiveram de abandonar todos os conventos em 24 horas), a coroa encarregou os franciscanos de tomar seu lugar.

É nesse contexto que o teólogo Serra, natural de Palma de Maiorca, com energia incansável e apesar dos muitos sofrimentos provocados por uma ferida na perna, percorreu com frequência centenas de quilômetros a pé para batizar e crismar os índios daqueles territórios. Frei Serra planejou e em grande parte construiu o Caminho Real — uma estrada que vai de norte a sul, na costa californiana —, com a fundação de 21 conventos fortificados, com mais ou menos um dia de distância separando-os, de modo a permitir aos frades proteção mútua e colaboração na defesa contra os índios, que eram geralmente  agressivos.

Os calvinistas, que os exterminaram, saberiam alguma coisa sobre isso?

Ainda hoje, os belos conventos construídos por Junipero e pelos franciscanos ainda estão lá, para mostrar como os índios foram evangelizados. No centro de cada convento havia, obviamente, uma igreja; contra as paredes que fortificavam o lugar, alinhavam-se lado a lado as várias oficinas em que os índios aprendiam os ofícios de  maior utilidade. Se se quiser admirar algo antigo na Califórnia, é preciso visitar essas capelas e conventos das missões franciscanas.

Serra e os franciscanos cometeram genocídio? Como no resto da América, muitos foram os índios que morreram por contágio epidêmico. Serra foi racista? Disse o Papa Francisco, que o declarou santo: Frei Serra “soube ir ao encontro de tantos, aprendendo a respeitar seus costumes e suas características”; “procurou defender a dignidade da comunidade nativa, protegendo-a daqueles que dela abusavam”.

No entanto, uma estátua de Frei Junipero acaba de ser destruída em São Francisco, enquanto os espanhóis, por sua vez, coloriram com uma bela tinta cor de sangue a estátua do santo em Palma de Maiorca.

Retornou, de forma prepotente, o ódio contra nossa história e nossa identidade. O ódio que levou Jesus a morrer na cruz.

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