vigano trump

[Com um tweet, o presidente americano Trump acolhe com entusiasmo a carta que lhe enviou o arcebispo Carlo Maria Viganò, que fala de uma batalha furiosa entre os filhos das trevas e os filhos da luz. Uma leitura dos fatos atuais que se mantém na mesma linha das profecias de São João Paulo II e os julgamentos de Bento XVI. Viganò observa que, neste momento, o presidente Trump é a única autoridade internacional capaz de enfrentar um poder mundial liberticida, que se aproveitou da crise do coronavírus e está fomentando as revoltas nos Estados Unidos. Tempos ainda mais difíceis estariam por vir].

Trevas contra a luz: eis a chave para a interpretação da história, descrita com muita clareza no Evangelho de João, que foi usada por Monsenhor Viganò para julgar os fatos dos últimos dias e, de maneira mais geral, o que está acontecendo no mundo. São dois os fatos nos quais o ex-núncio nos Estados Unidos se detém: a administração da emergência do coronavírus e as desordens fomentadas nos Estados Unidos, como parte de uma “campanha feroz” contra Trump e uma maneira de justificar outras possíveis ações repressivas.

Quanto ao coronavírus, Viganò chama a atenção para a gestão da crise: «Provavelmente descobriremos que, nesta colossal operação de engenharia social, houve pessoas que decidiram o destino da humanidade, arrogando-se o direito de agir contra a vontade dos cidadãos e de seus representantes nos governos das nações”. Do mesmo modo, destaca as desordens que, com perfeita sincronia, foram fomentadas nos Estados Unidos e na Europa, por trás das quais “mais uma vez se escondem aqueles que, na dissolução da ordem social, esperam construir um mundo sem liberdade”.

A carta do monsenhor Viganò ecoa o documento — que de fato cita — que ele próprio promoveu em 8 de maio: um apelo à Igreja e ao mundo para reagir ao “Inimigo invisível” que tira proveito de algumas crises — como o do coronavírus — para implementar sua agenda liberticida e uma espécie de governo mundial dominado pelo pensamento único. Esse apelo foi assinado por dezenas de prelados e acadêmicos: ali estavam as assinaturas do ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Gerhard L. Müller, e o bispo Athanasius Schneider.

Na carta ao Presidente dos Estados Unidos, Monsenhor Viganò observa como esse inimigo invisível se concentra, hoje, no objetivo de eliminar Trump, impedindo sua reeleição de todas as formas (pode-se dizer, parafraseando o falecido cardeal Carlo Caffarra, que só um cego não veria essa campanha feroz e enganosa contra o presidente americano). “Pela primeira vez — escreve Viganò — os Estados Unidos veem no senhor um presidente que, corajosamente, defende o direito à vida, que não se envergonha de denunciar as perseguições aos cristãos pelo mundo, que fala de Jesus Cristo e do direito dos cidadãos à liberdade de culto».

Viganò observa realisticamente que, hoje, o presidente Trump é a única autoridade mundial que se opõe, com todo a sua força, a esse poder negativo, ao qual infelizmente muitos pastores “também estão escravizados”, ao negar os “seus compromissos diante de Deus”. E, para ele e para a nação americana, Viganò promete orações “nesta hora dramática e decisiva para toda a humanidade”, enquanto espera que “os bons despertem do torpor e não aceitem ser enganados por uma minoria de pessoas desonestas, agindo com fins inconfessáveis”.

Há muita ironia no tom e nos argumentos usados por Monsenhor Viganò; e muito se pode discutir sobre a conveniência ou não de um bispo tomar iniciativas com sabor “político”. Mas está claro que ele descreve, no momento presente, aquilo que São João Paulo II profetizou, quando disse que, no Terceiro Milênio, haveria uma batalha decisiva entre Deus e Satanás ao redor do homem: não sendo capaz de atacar a Deus diretamente, Satanás tenta atingir o vértice da Criação, aquele que foi criado à imagem e semelhança de Deus. É por isso que a vida e a família seriam os principais objetivos dessa batalha.

É exatamente isto que está ocorrendo. Lembre-se que a dimensão espiritual e escatológica desse confronto já tinha sido levantada pelo Papa Bento XVI, em seu último discurso na Cúria Romana, em 21 de dezembro de 2012, quando observou que a ideologia de gênero representa a subversão da própria ordem da Criação: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.”

À luz das palavras de São João Paulo II e Bento XVI, pode-se melhor compreender a gravidade do enfraquecimento da Igreja justo nas questões da vida e da família. Portanto, há muito pouco que ironizar; goste-se ou não, há uma batalha furiosa em andamento e sua verdadeira natureza é espiritual, escatológica. As palavras de Viganò provavelmente darão a Trump maior consciência dos riscos existentes — como o tweet do Presidente deixa entender —, e tudo isso, infelizmente, num momento em que uma parte importante da Igreja parece ter perdido a capacidade de ler os fatos do dia e a História à luz do Juízo final, esmagada como está sob o peso do pensamento único.

O certo é que, precisamente por esse motivo, teremos de esperar meses ainda mais difíceis, em vista da próxima eleição presidencial americana. A ordem é clara: o presidente que retira fundos de organizações pró-aborto, que defende a liberdade religiosa, que se opõe à ditadura LGBT, que desafia a ideologia globalista, que se opõe à Nova Ordem Mundial, não deve ser reeleito. A todo custo.

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