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Em 2 de fevereiro de 1995 uma pequena imagem branca de gesso da Rainha da Paz, de quarenta e três centímetros, começou a chorar lágrimas de sangue em Civitavecchia, pequena cidade no subúrbio de Roma.

A imagem tinha sido trazida de Medjugorje pelo padre Pablo Martin, que então era pároco de um vilarejo próximo a Civitavecchia, e que tinha voltado de uma peregrinação à famosa cidade da Bósnia Herzegovina. Deu a imagem de presente ao amigo Fabio Gregori, eletricista de trinta e dois anos, católico, casado, homem de bem; e foi na própria casa do eletricista que se iniciou o estranho acontecimento — a pequena Maria de gesso vertendo lágrimas de sangue —, logo presenciado por toda a vizinhança. Nos dias seguintes, até 6 de fevereiro, foram 13 lacrimações, todas com provas testemunhais.

Foi um escândalo. Em pouco tempo, o bispo Girolamo Grillo foi alertado e, cético, decidiu apreender a imagem para melhor administrar e apurar o fato. Enquanto investigava, deixou-a no pequeno altar de sua capela privada. Um mês e pouco depois, no dia 15 de março de 1995, enquanto o bispo rezava em companhia de sua irmã, Grazia Maria, esta percebeu um estranho e inesperado líquido vermelho escorrendo dos olhos da Madonna. Era a 14ª lacrimação de Maria — o mesmo número das estações da Via Crucis.

A irmã do bispo gritou de susto; e todos que estavam no palácio diocesano correram à capela. O bispo tomou a imagem e a prendeu entre as mãos, enquanto rezava silenciosamente a Salve Rainha, insistindo sobretudo no primeiro verso: “Salve, Rainha, Mãe de misericórdia”. O próprio Dom Grillo contou tudo no livro La vera storia di un doloroso drama d’amore: la Madonnina di Civitavecchia (Camerata Picena, Shalom, 2011). O que mais era necessário para reconhecer a sobrenaturalidade do fato? A partir de então, não só católicos comuns, teologicamente analfabetos, tinham presenciado o escandaloso pranto de sangue, mas também um bispo melindroso, de extrema e necessária cautela, adestrado por ofício contra ímpetos milagreiros da gente simples.

Quando o fato de Civitavecchia ganhou a mídia, a justiça apreendeu a imagem para investigações. Nenhuma fraude, no entanto, foi constatada. Era uma imagem como tantas outras, representando singelamente Nossa Senhora. A Criminalpol, polícia federal italiana, colheu parte do material sanguíneo que sobrou da última lacrimação, submeteu-o a análise laboratorial e atestou: não havia nenhum mecanismo fraudulento oculto em suas gélidas entranhas de gesso. Era sangue humano. E, para os que creem, diretamente originário do coração de Maria Santíssima, transpassado por aquela espada predita pelo velho Simeão, no dia da apresentação de Jesus no Templo.

O grande Chesterton, convertido do protestantismo, dizia que em milagres acredita quem tem provas a seu favor (no caso de Civitavecchia, as lágrimas de sangue vistas por muitas pessoas dignas de crédito); e não acredita em milagres aquele que tem uma teoria contrária aos que acreditam…

— Não nos venham com fatos — diriam esses últimos. — Deixem-nos em paz com nossas ideias!

O mais impressionante, vale repetir, é que essa imagem de Nossa Senhora foi trazida de Medjugorje, vilarejo da Bósnia na qual seis jovens — hoje cinquentões — diziam e ainda dizem receber aparições de Nossa Senhora desde 1981. Naquele fevereiro de 1995, Medjugorje padecia os efeitos terríveis da guerra dos Bálcãs, mas foi preservada intacta do tiroteio sangrento ao redor, sem que houvesse uma única vítima humana na pequena cidade. Há quem procure ver nos acontecimentos de Civitavecchia, entre outras coisas, um atestado do Céu em favor das aparições marianas na ex-Iugoslávia.