Gustav-Thibon

Gustave Thibon, o filósofo camponês, nasceu (em 1901) e morreu (em 2001) na mesma cidade, a minúscula Saint-Marcel-d’Ardèche. Viveu sempre na província, à margem da vida universitária. Isto não o impediu, porém, de compreender como poucos os graves problemas de sua (e ainda nossa) época.

Num livro seu de 1973, L’homme devant la nature, o filósofo francês parece ter profetizado o que estamos vivendo agora, às turras com esse maldito vírus chinês.

Thibon conhecia bem a fragilidade e suscetibilidades do homem atual — esse homem mimado contemporâneo que Ortega y Gasset tão bem desmascarou em A rebelião das massas —, capaz de estremecer diante dos “menores equívocos da ciência ou ao surgimento da mais branda epidemia (uma vaga gripe que chega das profundezas da Ásia e, em última análise, apenas mataria pessoas já perto de morrer, ou porque já são muito velhos ou bastante frágeis para suportá-la).”

O filósofo nos convida a imaginar em que estado de terrível pânico não mergulharia o homem moderno, “se houvesse uma epidemia, como por exemplo a peste negra da Idade Média, que fez 35 milhões de vítimas, aproximadamente um terço da população.”

Ele acreditava que nossos contemporâneos não resistiriam: os que porventura escapassem da praga, morreriam de pânico!