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Nesta pandemia, a voz da ciência é chamada a impor-se sobre todas as demais. Dirigida especialmente aos que têm poder de decisão, procura indicar os rumos a seguir na luta contra o produto invisível que a China comunista exportou ao mundo, no final de 2019.

Há muitas decisões a tomar e não poucas soluções divergentes entre si. Como os indivíduos que nos governam nada entendem de virologia, epidemiologia, infectologia etc. (salvo exceções, a ciência que dominam é a da vantagem pessoal), procuram cercar-se de médicos e cientistas para enxergar melhor no nevoeiro chinês que cobriu o mundo neste primeiro semestre de 2020.

O poder da ciência é diferente do poder político e econômico. Estes operam no calor da hora e devem ter respostas prontas para o minuto seguinte. Não é, porém, com fórceps que nascem os remédios, as vacinas, as curas. Não é assim que as coisas funcionam no planeta da ciência. Lá tudo é muito devagar, os insights demoram a cair do céu. E quando vêm, vêm sem que se espere, como afirmou o filósofo jesuíta Bernard Lonergan: foi o que aconteceu com Arquimedes e sua “eureca”, enquanto se banhava numa terma grega de Siracusa.

Os políticos, e os homens práticos em geral, pensam que o cientista é um aparelho de produzir descobertas mágicas, súbitas, “para ontem”, sem desconfiar que uma boa “eureca” leva tempo, suor e lágrimas — e, em geral, chega quando estes dois últimos já secaram completamente.

No entanto, nunca esteve tão congestionado, na mídia, o tráfego de cientistas pontificando sobre o melhor caminho a seguir no combate ao vírus. A consequência, nessa palpitaria generalizada, é haver de tudo: “fica em casa”, “sai de casa”, “fica quem pode”, “sai quem precisa”, provando que a unanimidade não é mesmo um atributo da comunidade científica; que ciência é de fato um processo, um rio que vai sempre em frente, com suas curvas, retrocessos, quedas d’água (toda unanimidade é burra, já dizia o escritor Nelson Rodrigues).

Lembra um confuso coral polifônico, de várias vozes, no qual cada um entoa uma melodia diferente. E quando, a essas vozes divergentes do laboratório, se juntam as vozes dissonantes dos políticos de plantão — o presidente de um lado, alguns governadores de outro, prefeitos de cá ou de lá —, então a algaravia fica completa e ensurdecedora.

Quem vai sair no lucro é certamente o vírus chinês, que agradece e manda lembranças.