Santa-Caterina-da-Siena

O que ligava a terciária dominicana Catarina de Sena (1347-1380) a São Domingos, o fundador da ordem a que pertenceu a santa italiana? Certamente, o intenso trabalho realizado em defesa da unidade da Igreja.

O próprio São Domingos lhe apareceu, na juventude, e lhe mostrou o hábito das irmãs dominicanas (vestido branco e véu preto). Como filha de São Domingos, terá sido também devota do Saltério da Virgem (a forma primitiva da oração do Rosário). Foi rezando com a Virgem Maria que Catarina se aproximou de Jesus e pode lutar, destemidamente, pela unidade da Igreja, seriamente ameaçada pelas heresias e os interesses políticos. Nada a magoava mais do que as divisões internas da cristandade.  .

Vigésima quinta filha de um tintureiro de Siena, Catarina Benincasa (era o seu nome de Batismo) logo cedo ofereceu a vida a Deus, o que não agradou à família. Já na infância rezava muito, fazia penitência, jejuava. Aos doze anos, quando os pais já pensavam em arranjar-lhe marido, cortou os cabelos e encerrou-se em seu quarto, sempre a rezar. Certo dia, o próprio pai surpreendeu uma pomba sobrevoando a filha durante a oração.

Se prestou serviços junto a enfermos, sobretudo os de doenças contagiosas, dos quais cuidava com corajosa generosidade, Catarina foi sobretudo uma grande contemplativa. Esta era a fonte permanente de sua caridade junto ao próximo. Tinha vinte anos quando, pelas mãos de Nossa Senhora, Jesus lhe apareceu como noivo místico. Por essa promessa de núpcias, Dele recebeu uma aliança que somente ela podia enxergar no dedo. Mais tarde, noutra aparição, Jesus finalmente lhe substituiu o coração pelo Seu: o casamento místico estava plenamente realizado.

Catarina foi instrumento dócil nas mãos do Espírito Santo. Com frequência tinha êxtases místicos, lutava com o demônio, experimentava bilocações, lia os pensamentos alheios. Por quase dois meses, alimentou-se exclusivamente de Eucaristia. Com permissão de residir com a própria família, estava em permanente contato com o mundo, sempre junto dos que necessitassem de ajuda material ou espiritual. Reuniu à sua volta um grupo de filhos espirituais, de várias idades e procedências, com os quais estudava a doutrina católica. Para ela, oração e estudo eram coisas inseparáveis, não admitindo que um cristão pudesse ignorar os ensinamentos da Igreja.

Catarina tinha o dom da sabedoria infusa. Viveu boa parte da vida escrevendo e respondendo cartas (380 ao todo), que hoje compõem sua famosa e densa correspondência, publicada sob o simples título de Cartas, dirigidas a religiosos, parentes, amigos, ou a pessoas importantes, como príncipes ou o próprio Papa. Escreveu, também, uma obra-prima da espiritualidade católica, Diálogo da Divina Providência. Em 1970, declarou-a Doutora da Igreja o Papa Paulo VI, reconhecendo a alta espiritualidade de suas obras, a maior parte das quais ditada, pois parece que aprendeu a escrever só no final da curta vida.

Tão próxima estava de Cristo que, como Ele, também morreria aos trinta e três anos, depois de haver recebido os estigmas. Dessa total configuração ao Esposo, vinha-lhe uma grande coragem: não temia dizer a verdade, fosse a quem fosse. Quando, com apenas seis anos, Jesus lhe apareceu vestido de Papa, queria lhe dizer algo que só bem mais tarde compreenderia plenamente, ao empenhar-se pela volta do Papa Gregório XI a Roma (desde 1309, os Pontífices estavam exilados em Avignon, na França).

Inspirada por Jesus, em 1376 foi pessoalmente a Avignon alertar o “doce Cristo na terra” (assim chamava o Papa) que já não podia mais adiar a sua volta a Roma. Disse-lhe palavras respeitosas mas duras, apelando para a hombridade do Santo Padre. No ano seguinte, em 1377, Gregório XI voltava a Roma.

Assim foi a vida dessa grande mulher, cujas ideias fixas eram a conversão dos pecadores e a unidade da Igreja.