mulher rezando

Infelizmente, e aí estão as estatísticas, o que mais aumentou durante a quarentena foi o consumo online de pornografia. Mas, em seguida, vem a frequência a páginas de conteúdo religioso.

Se o primeiro deixará uma ferida muito difícil de sanar, o último também marcou profundamente as pessoas que, durante esse prolongado confinamento, encontraram em Deus a força contra o desespero.

O que a Igreja tem a oferecer a esses milhões de católicos que, assim que os templos forem abertos, voltarão a eles? Essas pessoas estarão muito mais religiosas do que antes e não faltarão conversos entre elas. Irão em busca de Deus, porque já provaram o seu sabor, ouviram a sua voz e experimentaram a paz e o conforto que sua companhia deixa na alma.

O que vamos oferecer a elas? O mesmo que antes? Continuaremos com as brigas internas sobre a comunhão dos divorciados recasados, a comunhão aos protestantes, o fim do celibato do clero, a possibilidade de ordenação de mulheres e (o que está subjacente a tudo) a rejeição do Magistério da Palavra de Deus, que traz implícita a negação da divindade de Cristo? As pessoas estão procurando por Deus e vamos oferecer-lhe contendas?

Os governos de todos os países, possivelmente com interesses partidários em muitos casos, estão dizendo que, diante da grave crise econômica que a pandemia causou, é necessário unir esforços e deixar divisões de lado. A Igreja não deveria fazer o mesmo? Mas como essas divisões podem ser deixadas de lado, se não se volta ao essencial, que é Cristo e sua Palavra?

A unidade é essencial neste momento. Continuar com a guerra civil, que nos divide por 60 anos, acabará por esgotar a pouca força que nos resta. Mas essa unidade só pode ser forjada em torno do Senhor e de sua mensagem, que inclui as Escrituras e a Tradição. Não uma Tradição que seja uma adoração de cinzas, mas transmissão do que Cristo ensinou e daquele fogo que ele veio trazer à terra.

Um fogo que é impossível transmitir se não houver convicção de que Ele é Deus e que Suas palavras não podem ser modificadas ou adaptadas aos novos tempos.

Que Ele e somente Ele é o Salvador dos homens.

Que Nele e somente Nele está a plenitude da verdade, porque Ele e somente Ele é a Verdade feita carne.

Não se pode pensar que sejam cinzas os dogmas que garantem que Cristo esteja verdadeiramente presente na Eucaristia e que não se possa receber a comunhão no pecado mortal.

Que Maria era perpetuamente virgem.

Que existe a vida eterna, precedida pelo julgamento de Deus.

Não pode haver unidade na rendição ao mundo, mas apenas na fidelidade ao Senhor, à Sua Palavra e à Tradição que a guarda fielmente há dois mil anos.

Os defensores da validade da Palavra e da Tradição demonstraram sua capacidade de resistir aos insultos e perseguições a que foram submetidos durante esses anos, e não desistiram. Os católicos, agora mais do que antes, exigem uma Igreja unida e espiritual, uma Igreja que lhes fale de Deus e não da pachamama, uma Igreja que satisfaça sua fome por Deus.