Pachamama

Essa contaminação pelo coronavírus é um aviso aos homens da Igreja que, em nome da “mudança de paradigma”, subordinam o ensinamento de Cristo à realidade do mundo. Aos que dizem que não concebem “princípios não negociáveis”, considerando a desigualdade, e não o pecado, como a raiz dos males sociais. Aos que permitiram o espetáculo gnóstico e neopagão da pachamama no Vaticano. Aos que abandonaram a missão do Evangelho e a necessidade de conversão, em favor do diálogo complacente com as outras religiões (trocando o Deus católico por um Deus comum a todas as religiões). Aos que apresentaram Lutero como remédio para a Igreja, endossando a moral de situação em vez de princípios morais.

Em uma palavra: com a mudança de paradigma, eles se conformaram à mentalidade mundana. Na verdade, desde as origens do cristianismo, as comunidades cristãs, cercadas por costumes não certamente sóbrios, semelhantes aos atuais, não pensavam em fazer nenhum acordo com a mentalidade corrente.

Pelo contrário: era o desejo dos Padres da Igreja se diferenciar claramente das atitudes do paganismo. Esse mundo, longe dos ideais evangélicos, não é destinatário de compreensões e nem deve ser persuadido, mas desafiado.

Em vez disso, os documentos pastorais geralmente falam de desafios, mas não os enfrentam e cedem ao mundo, ao seu pragmatismo. Mas no sínodo recente da Amazônia, em vez de optar por promover vocações sacerdotais e o celibato, preferiu-se promover os viri probati e imaginar novos ministérios para as mulheres, a conversão ecológica em vez da conversão do coração, a economia global em vez da salvação eterna, uma Igreja sinodal ao invés daquela desejada por Jesus Cristo, ordenada hierarquicamente (ao ponto de mudar as fórmulas sacramentais e o Pai Nosso, acreditando que Deus, para o nosso bem, não pode nos permitir provações).

O coronavírus frustrou tudo. Agora o papa, tão preocupado com o povo, ficou sem o povo; os sacerdotes, embriagados de participação, estão sem os fiéis; os fiéis, tão acostumados às liturgias comunitárias, sofrem o abandono por não terem sido treinados na adoração, no recolhimento de joelhos, na oração pessoal (realizada em segredo, onde somente o Pai nos vê).

Na época da gripe asiática (1969) e do cólera (1973), ainda estávamos acostumados à oração pessoal. Em essência, queríamos exaltar o corpo eclesial, sem nos preocupar com os membros individuais; hoje não sabemos rezar pessoalmente; estamos fisicamente na liturgia, mas cada qual não recebe nem dá nada. As igrejas estão desoladas, fiéis e pastores como que exilados.

Um prelado alemão disse, há alguns meses, talvez inconscientemente: “Nada será como antes”. Na verdade, desde as origens do cristianismo, os Padres não se importavam em chegar a um acordo com o mundo.

No debate sobre o Sínodo sobre a Amazônia, o celibato e a liturgia foram reduzidos a assuntos internos da Igreja, esquecendo que têm finalidade missionária, são dirigidos ao mundo, para que ele possa receber eficazmente o anúncio do Evangelho. Enfatiza-se a “palavra de Deus”, deixando-se de acrescentar que nela está a Revelação do Deus vivo. Há os que gostariam de remover o crucifixo do centro de nossas igrejas, e ainda mais o tabernáculo do Santíssimo Sacramento, substituindo-os apressadamente pelo Senhor ressuscitado e pela cadeira do celebrante.

Certamente, depois dessa pandemia, para os que tiverem olhos para ver, ouvidos para ouvir, coração para pensar, na Igreja e no mundo nada será como antes. O Senhor já nos mostrou outros caminhos.