cARDEAL pELL

Cardeal George Pell conseguiu suportar seus quatrocentos e quatro dias de prisão com admirável paciência. Não falou mal de ninguém: só dizia ser inocente, e mais nada.

Mas, enfim, o cardeal está livre. Não foram poucas as vozes que, no ano passado, se levantaram em sua defesa na mídia independente: sabiam que a acusação dos dois coroinhas da Catedral de Melbourne não tinha o menor fundamento, contrariando as mais básicas leis da verossimilhança, sem as quais um enredo não convence. De que o acusavam? De “abuso sexual” na sacristia da igreja, nos poucos minutos transcorridos entre o final de uma Missa e a chegada do pessoal que serviu na celebração, o qual sempre testemunhou a favor de Pell.

No entanto, setores “progressistas” da inteligência australiana (políticos, intelectuais, jornalistas, gente do próprio clero), descontentes com a posição conservadora do cardeal, já tinham decidido o contrário; e seus grupos de pressão começaram a agir. Iniciado o processo contra ele, o primeiro júri popular o absolveu: dez votos contra dois. Mas houve dois julgamentos seguintes, em que juízes pronunciaram sentenças injustas, levando à cadeia o nome mais alto da hierarquia católica da Austrália

Só restava ao cardeal recorrer à suprema corte de justiça. E, finalmente, os seus sete juízes (número bíblico…) do foram unânimes em sua conclusão: “Existe uma possibilidade significativa, em relação às acusações, de que tenha sido condenada uma pessoa inocente”. No fim de tudo — ou final provisório, pois a polícia australiana já anunciou um novo processo contra Pell… —, ficou claro que a causa da perseguição caluniosa foi, nada mais, nada menos, o catolicismo do cardeal, pois a Austrália sofre atualmente dessa pandemia global do anticristianismo.

O mais estranho, nesse calvário que parece interminável, foi a maneira como Mark Coleridge, presidente da conferência dos bispos australianos e arcebispo de Brisbane, comentou a libertação de Pell. É uma joia de imparcialidade pôncio-pilatiana: “Essa sentença será recebida com alívio por muitos, por aqueles que sempre acreditaram na inocência do cardeal durante todo esse processo. Mas também sabemos que a decisão do Supremo Tribunal será devastadora para muitos outros. Muitos sofreram muito nesse processo, que agora chegou ao fim”.