coronavirus-italia

O conservador Giulio Tremonti, ministro da economia de Berlusconi, acredita num mundo menos globalizado, depois do coronavírus:

“Hoje estamos testemunhando o fim de um mundo, não do mundo. Para ser claro: a pandemia será contida, pois as vacinas chegarão, mais cedo ou mais tarde. Mas quando, depois dessa fase de transição extremamente dramática, sairmos novamente de casa, encontraremos um mundo diferente, menos loucamente globalizado do que antes. Enquanto a globalização até agora representou a utopia do não-lugar e, portanto, significou a superação dos Estados, provavelmente a desaceleração desse processo provocará o ressurgimento — se não dos Estados — ao menos dos territórios. Agora que a idade de ouro acabou, poderá haver um retorno às pátrias; e, com isso, quero dizer famílias, comunidades e tradições.”

https://lanuovabq.it/it/e-la-crisi-dellideologia-globalista-la-soluzione-non-e-la-finanza-ma-il-lavoro

O filósofo de esquerda Slavoj Zizek, ao contrário, acha que depois da crise o mundo estará mais perto de uma nova modalidade de comunismo:

“Eu vejo um novo comunismo brotando do vírus. (…) Estamos todos aprendendo que esforços nacionais isolados não são suficientes: os limites do populismo nacionalista que insiste na soberania do Estado estão diante dos olhos de todos. Repito, a solidariedade global e a cooperação são o único caminho racional (…). cabe a nós, cidadãos, submeter aqueles que governam a mais controle, e não o contrário (…) Não subestimemos o impulso que o vírus está dando a novos sistemas de solidariedade em nível local e global. Construir um novo modo de viver será o nosso teste. (…) esta situação tornou bem visíveis as diferenças sociais.”

https://rep.repubblica.it/pwa/robinson/2020/04/06/news/slavoj_z_iz_ek_chiusi_in_casa_riscopriamo_non_c_e_momento_piu_politico_di_questo-253290185/?refresh_ce

Monsenhor Matthieu Rougé, bispo católico de Nanterre, aposta mais no esquecimento e na retomada da rotina:

“Seria sucumbir novamente à síndrome do gigante com pés de argila, afirmar com segurança que “nada mais será como antes” após a crise. Nossa inclinação mais espontânea será, pelo contrário, uma amnésia mais ou menos deliberada, uma fuga para a frente, talvez até mesmo desenfreada, para reconstruir certamente, mas também para esquecer.”

https://www.lesalonbeige.fr/apres-la-crise-notre-penchant-le-plus-spontane-sera-une-amnesie/

Com o que parece concordar outro francês, o jornalista católico Bernard Anthony, que também aposta em algo mais próximo da realidade:

“Alguns comentaristas dizem que nada mais será como antes após o choque econômico e social global que a pandemia provocará. Certamente, a perturbação não vai ser pequena. Mas dizer “nada mais” é exagero. É de se temer, pelo contrário, que muitas coisas nem sejam colocadas em questão.”

http://www.bernard-antony.com/2020/03/vive-taiwan-vive-la-hongrie-vive-la.html