Assistindo TV antiga

Chefes de Estado não hesitam em falar de guerra; disse-o Xi Jinping pelos chineses, Macron em nome da França e o repetiu recentemente uma deputada italiana. O mundo está em guerra, uma verdadeira guerra mundial. Quem sabe a terceira guerra mundial, não disputada com armas nucleares ou drones teleguiados, mas contra um exército invisível e microscópico, proveniente da distante (e ao mesmo tempo tão próxima) China, que está enchendo de pânico o mundo — um mundo que decidiu trocar o Deus que se fez homem pelo homem que pretende ser deus.

O exército invisível não tem exatamente um líder, como as forças armadas da Alemanha nazista tinham Hitler ou a União Soviética um Stalin. Os soldados atuam por conta própria e, no entanto, com uma consonância tão perfeita entre si, que parecem obedecer a um comando central. Na verdade, cada soldado é o seu próprio capitão, sabendo muito bem o que deve fazer: destruir. Destruir, sobretudo, os pulmões de seres humanos.

O exército invisível do corona-vírus está avançando por todo o mundo. Quem visita o site https://www.covidvisualizer.com/ vai perceber, com espanto, que não ficou nenhum país fora do alcance da sua mira certeira. Uma perfeita e irreprochável globalização do vírus! Nunca antes a palavra pandemia foi usada com tanta propriedade.

Contudo — é preciso dizê-lo —, pandemias bem piores que a do corona-vírus devastam o mundo de hoje: a pandemia do divórcio, do casamento homossexual, do aborto, do consumismo, do alarmismo climático, do igualitarismo socialista, da pornografia, da descristianização (sobretudo esta, que é a causa das anteriores).

A quarentena imposta pelo corona, com as famílias enfim confinadas em casa, seria excelente oportunidade para meditar nisso tudo, se as pessoas já não estivessem quase irremediavelmente perdidas para as redes sociais, joguinhos eletrônicos, filmes vazios, autoajuda, pornografia.

Parece reinar sobre elas um comando ainda mais poderoso que o exército que veio da China. Afinal, o exército invisível não é tão invisível assim: os microscópios podem facilmente vê-los. Absolutamente invisível (e por isso muito mais perigoso) é o lobo vestido de pastor que está conduzindo o rebanho da humanidade para incontáveis abismos: o abismo da distração midiática, o abismo da presunção tecnológica, o abismo da autoveneração narcisista, o abismo da apostasia religiosa.

O falso pastor, que usurpou o rebanho humano do verdadeiro Bom Pastor, é quem deve realmente ser temido. Sua globalização é mais completa que o do corona-vírus, pois não visa apoderar-se de pulmões efêmeros, mas de almas eternas.

Comentaristas (à esquerda e à direita) dizem que, depois desta pandemia, o mundo não será mais o mesmo. Deixando de lado prospecções apocalípticas, já seria muito bom se o medo da morte, provocado por um vírus não tão invisível assim, pudesse despertar mais pessoas para as pandemias verdadeiramente comprometedoras: as que matam as almas, mais que os pulmões.