Jovem com Down

Sem dúvida, é admirável o que os pais de Emmanuel Joseph Bishop conseguiram fazer desse jovem com síndrome de Down. Tem vinte e quatro anos e é natural da cidade americana de Grafton, na Virgínia. Em casa mesmo, começou a ser alfabetizado com dois anos de idade, e não só em sua língua natal: aos três anos identificava algumas palavras em francês.

Com seis anos, já lia pequenos discursos em encontros nacionais de uma associação de síndrome de Down. Aos oito anos, já andava de bicicleta. Ganhou medalhas de natação em paraolimpíadas dos EUA.

Foi então que começou a aprender violino, que está entre as coisas que mais gosta de fazer. Dentro dos limites do que pode aprender alguém de sua condição, a partir dos catorze anos já se apresentava com seu instrumento em encontros mundiais de síndrome de Down (fosse integrando uma orquestra sinfônica ou em recitais com violinistas profissionais).

Obviamente, Emmanuel não é um Yehudi Menuhin ou um Isaac Stern, mas é encantador ver aquele rapaz de olhos achinesados, quase engolidos pelas pálpebras, ajeitando entre o ombro e o queixo o violino (instrumento nada fácil de tocar), retesando o arco, ferindo as cordas.

Espiritualmente falando, aos nove anos já era coroinha em sua paróquia católica. Transformou-se num católico devoto, puxando em muitas ocasiões a oração do Rosário e outras orações comunitárias. Até orações em latim Emmanuel faz.

O caso desse jovem católico americano mostra como é possível superar, de forma quase imprevisível, certos limites que a natureza impõe às pessoas — e tudo graças à sua família que, num esforço de educação precoce, não se deixou vencer pelo pragmatismo reinante em seu país. Outras famílias, com crianças assim, podem ser animadas pelo seu exemplo.

Evidentemente, nem todos conseguirão tocar violino ou ganhar medalhas como ele, mas nada disso é necessário para, enfim, tornar merecedor do dom da vida o mais humilde dos portadores desse mal, apesar de vários países já contarem com legislação favorável ao aborto em caso de síndrome de Down.

No país de Emmanuel Joseph Bishop, a maioria dos fetos com Down é assassinada no útero materno. Mas não só nos EUA: também na Dinamarca, Itália, Alemanha, França, Suíça, Inglaterra e Bélgica a grande maioria deles não chega a ver a luz do sol, sobretudo na Islândia, que há poucos anos se orgulhava miseravelmente de ter praticado cem por cento de abortos em mães nessa situação.