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Com sua saborosa linguagem seiscentista, conta o padre Manoel Bernardes, no clássico Nova floresta, um curioso milagre do Padre Anchieta. Nalgum lugar do sudeste brasileiro, não nomeado, realizavam-se alguns jogos e o prêmio final era um pato. No final, houve dúvida sobre qual dos dois finalistas realmente merecia levar o pato.

Padre José de Anchieta, de quem todos gostavam, foi chamado para resolver o problema. Estava ali presente um menino que era mudo de nascença. Então o padre, renunciando à condição de juiz, chamou o menino mudo e pediu-lhe que decidisse a contenda. Ficaram todos espantados, ansiosos por ver que sentença poderia dar um menino. Mais que isso: que resposta daria um mudo…

Então o mudo falou e sentenciou:

— O pato é meu.

Dali em diante, ficou com a língua destravada. E, obviamente, levou o pato.

(Padre Manoel Bernardes. Nova floresta. Antologia realizada por Agostinho de Campos. Paris-Lisboa, Livrarias Aillaud & Bertrand, 1920, p. 235)