pio-xii

É uma controvérsia histórica antiga, que remonta notadamente à publicação da peça O vigário, encenada em 1963 por Rolf Hochhuth, criticando fortemente a ação de Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial. Até essa data, e em particular a partir da morte de Pio XII em 1958, a comunidade internacional tinha elogiado seu pontificado, inclusive no mundo judaico.

Mas não há segredos ocultos sobre Pio XII! Em 1963, o papa Paulo VI, desejando esclarecer esse assunto, abriu os arquivos do Vaticano e confiou a uma equipe de quatro historiadores eclesiásticos a tarefa de extrair todos os documentos relativos ao período da guerra. Isso deu origem à publicação de uma colossal obra realizada entre 1965 e 1982, as Atas e documentos da Santa Sé relativos à Segunda Guerra Mundial, doze volumes de 800 páginas cada, hoje livremente acessíveis pela Internet, no site do Vaticano.

Os principais documentos relativos ao fim do pontificado de Pio XI e ao de Pio XII, para o período da guerra, foram portanto disponibilizados. Obviamente, depois de abrir todos os arquivos (aqueles cuja classificação científica ainda não foi concluída), a Igreja certamente permitirá o acesso a documentos ainda não explorados, mas a maioria dos arquivos já é de conhecimento público. Portanto, não espero grandes descobertas para o período da guerra. No entanto, haverá novidades para o longo período do pontificado de Pio XII, que vai de 1945 a 1958, mas os amantes do sensacionalismo não estão interessados nele, porque ali não veem matéria polêmica.

Os adversários de Pio XII voltam sempre com os mesmos argumentos, mas nunca trazendo um novo testemunho ou documento desconhecido que iria na direção da culpabilidade do papa. Ao contrário, no lado da sua defesa, muitas peças novas ou testemunhos inéditos foram publicados pelos historiadores, e todos provam que Pio XII foi habitado pelo drama da guerra, havendo feito o que estava em seu poder para intervir em favor dos perseguidos. (…)

Eu acho que essa querela acabará por esgotar-se. No geral, a oposição a Pio XII é cada vez menos virulenta. O filme Amém, de 2002, dirigido por Costa-Gavras, relançou a polêmica, mas hoje em dia ela está diminuindo, por falta de evidências efetivas que apontem para a culpa do papa. O Vaticano, que tem o tempo pela frente, sem dúvida espera até que as paixões esfriem para relançar o processo de beatificação de Pio XII. Foi Serge Klarsfeld, o famoso advogado caçador de nazistas, que disse há alguns anos:

“Não há razão para que Pio XII não se torne um santo. Não se pode esconder que Pio XII teve gestos discretos e eficazes de ajuda aos judeus “.

https://www.lesalonbeige.fr/le-vatican-attend-sans-doute-que-les-passions-soient-retombees-pour-relancer-le-proces-de-beatification-de-pie-xii/