Duccio_-_The_Temptation_on_the_Mount

Na Liturgia de hoje, o destino da raça humana é contado como a história de dois “tipos” de homens: o primeiro homem, Adão, e o novo Adão, Jesus (1 Coríntios 15, 21-22; 45-59).

O argumento de Paulo, na Epístola, é construído sobre uma série de contrastes entre “uma pessoa” e “muitas” (ou “todas”). Pela desobediência de uma só pessoa, o pecado e a condenação entraram no mundo, e a morte passou a reinar sobre todos. Pela obediência de outra pessoa, a graça abundou, todos foram justificados, e a vida estendeu seu reino sobre todos.

Este é o drama que se desenrola na Primeira Leitura e no Evangelho de hoje.

Formado a partir do barro da terra e cheio do sopro do próprio Espírito de Deus, Adão era um filho de Deus (Lucas 3, 38), criado à Sua imagem (Gênesis 5, 1-3). Coroado de glória, ele recebeu o poder de dominar o mundo e a proteção dos anjos divinos (Salmos 8, 6-8; 91, 11-13). Ele foi criado para adorar a Deus, vivendo não apenas de pão, mas obediente a toda palavra que saía da boca do Pai.

Adão, no entanto, colocou o Senhor seu Deus à prova. Cedeu à tentação da serpente, tentando apoderar-se por si mesmo de tudo o que Deus já lhe havia prometido. Ao contrário, Jesus na hora da tentação triunfou onde Adão falhou, expulsando o diabo.

Entretanto, continuamos a pecar segundo o mesmo padrão da transgressão de Adão. Como Adão, deixamos o pecado entrar (Gênesis 4, 7) quando duvidamos das promessas de Deus, ou quando esquecemos de invocá-Lo em nossas horas de tentação.

Cristo, com Sua obediência, conquistou para nós uma graça especial: o pecado não é mais o nosso mestre.

Ao iniciarmos este período quaresmal de arrependimento, podemos confiar em Sua compaixão; Ele criará em nós um novo coração (Romanos 5, 5; Hebreus 8,10). Como fazemos no Salmo de hoje, podemos cantar alegremente nossa salvação, renovada em Sua presença.

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