podar

Recentemente, o antropólogo Joseph Henrich e seus colaboradores, do Departamento de Biologia Evolutiva Humana da Universidade de Harvard, mostraram como as restrições de casamento entre primos próximos contribuíram para o fortalecimento da civilização ocidental, tal como a conhecemos: educada, industrializada e democrática. O resultado de suas pesquisas aparece em artigo científico publicado pela revista Science, no dia 8 de novembro de 2019: “The Church, intensive kinship, and global psychological variation” (“A Igreja, parentesco próximo e variação psicológica global”)

Um outro antropólogo, quase noventa anos atrás, já tinha chegado a uma conclusão não muito diferente, também relacionada a casamento. A sociedade ocidental, constrangida a limitar as uniões entre parentes próximos, também se beneficiaria de suas rigorosas restrições ao ato sexual: foi o que concluiu o professor inglês Joseph Daniel Unwin (1895–1936), que ensinou em Oxford e Cambridge. Em sua obra “Sexo e cultura”, de 1934 (sem tradução brasileira), contribuiu para a compreensão de um problema que hoje, mais que nunca, inquieta a parte mais responsável do mundo: o conhecimento dos limites da sexualidade humana.

Estudando várias dezenas de tribos primitivas e as civilizações mais conhecidas da história, J. D. Unwin chegou à conclusão de que existe um estreito vínculo entre limitação dos hábitos sexuais e riqueza cultural. Os efeitos da restrição sexual eram notórios, tanto quando ocorria antes como depois do casamento, e levavam sempre a períodos de florescimento cultural, enquanto a liberdade no uso do sexo provocava, num arco de três gerações, o colapso da cultura. Quando tais restrições conjugavam castidade pré-nupcial (o fator mais influente de todos, conforme as pesquisas) e monogamia absoluta, por no mínimo três gerações, produzia-se um grande desenvolvimento na literatura, nas artes, na ciência, na arquitetura, na engenharia e na agricultura, de modo incomparável com as culturas mais permissivas. “Toda sociedade humana é livre para escolher se deseja concentrar grande quantidade de energia ou desfrutar de sua liberdade sexual. Não se pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo, por mais de uma geração”, disse o professor Unwin.

Curiosamente, foi o que sempre ensinou a Igreja Católica, fundada diretamente pelo Deus que se fez homem. Não é difícil entender por que a moral cristã foi a mais bem sucedida de todas: ninguém conhece melhor o ser humano do que o seu próprio Autor, Jesus Cristo, que deixou as coordenadas que orientariam os apóstolos no estabelecimento do que era conveniente fazer ou não.