Lourdes

Chefe do Escritório de Observações Médicas do Santuário de Lourdes por doze anos, o Dr. Patrick Theillier viu o inacreditável: os pacientes se recuperarem regularmente de doenças físicas, mentais ou espirituais. É certo que nem todas as curas são reconhecidas como milagres, pois a Igreja é extremamente cuidadosa em admiti-los (só o faz após um estudo médico rigoroso). Mas muitos deles podem ser descritos como “de natureza milagrosa”, devido à mudança de vida que transforma aqueles que se beneficiam delas, pois foram tocados diretamente no coração. Com base nos inúmeros testemunhos recebidos e de uma pesquisa paciente, o Dr. Theillier fornece um relato magnífico das mais belas curas relacionadas a Nossa Senhora de Lourdes, durante 160 anos. Um livro para ser lido, nesta festa da aparição da Virgem Imaculada a Santa Bernadete.

O Sr. publicou um livro sobre o que viu em Lourdes durante os anos em que era presidente do Consultório Médico. Qual era o seu “trabalho” em Lourdes?

Meu trabalho consistiu em receber declarações voluntárias e espontâneas de peregrinos que alegavam curas com vistas a um possível reconhecimento como milagres, passando primeiro por uma autenticação médica que certificava ser essa cura inexplicável no estado atual do conhecimento médico.

O que o Sr. viu em Lourdes?

Em Lourdes, vi que Deus sempre age nos corações e nos corpos quando confiamos nele, mesmo que nem sempre seja como se esperava!

O que é um milagre?

Um milagre é uma obra de Deus revelada por um fenômeno inexplicável, de ordem sobrenatural, e que afeta as pessoas envolvidas.

Como se reconhece que existe um milagre, segundo a Igreja? Quais são critérios que ela utiliza?

Em Lourdes, vemos apenas milagres de cura (que são os mais numerosos). A Igreja estabeleceu critérios específicos para admitir um milagre. A doença deve ser grave, conhecida pela medicina, corporal (e não psíquica), tendo sido ineficazes os tratamentos; a cura deve ocorrer repentinamente, instantaneamente, sem convalescença; deve ser total e definitiva.

Através das páginas do seu livro, observam-se as muitas doenças da alma que ainda estão presentes hoje. Como se explica isso?

Graças a Deus, a maioria das doenças agora é tratada com remédios! O que não ocorre com as doenças da alma … E há muitas; cada vez mais… Deus age para aliviar as almas; mas não apenas: as curas físicas são sempre necessárias, porque são as únicas visíveis e observáveis pela medicina.

O Sr. fala sobre cura da alma, cura interior. Teria um exemplo ou dois para nos contar?

Dou no meu livro muitos testemunhos de “pequenas” curas que levaram pessoas a, por exemplo, entrar na vida religiosa. É isso que pretendo mostrar: Deus não nos cura apenas por um momento, mas para a vida eterna!

Sua presença em Lourdes, muito perto da Virgem Maria e vendo tudo o que o Sr. viu nas almas e nas curas físicas, como tudo isso afetou a sua própria vida espiritual?

Sei que fui chamado a Lourdes pela Virgem Maria. Estou cada vez mais convencido de que não devemos hesitar em clamar ao Senhor, pedir-lhe o impossível, desde que continuemos na confiança, no louvor e no abandono à sua vontade: Ele sempre quer nos dar mais vida. Cabe a mim permanecer em sua presença, ajudado pelos sacramentos da Igreja.

O que você diria às famílias jovens que sofrem com a doença de um pai ou de um filho pequeno?

É difícil dar conselhos, mas tenho certeza de que vir a Lourdes sempre traz o conforto e a ternura de Maria. Nós não retornamos a casa como chegamos.

É natural que as pessoas se perguntem: por que existe o sofrimento?

O que sei é que Cristo Jesus sofre com quem sofre e não o abandona. Não há vida sem sofrimento e sem morte, é nossa condição pecaminosa, mas somos chamados à vida eterna, quando as lágrimas não existirão mais para aqueles que se colocam sob a proteção de Maria e do Espírito santo.

O que o Sr. diz da presença de Maria em nosso mundo? E o sinal que foi dado na Notre-Dame de Paris?

Penso que a destruição da torre da Notre-Dame (La flèche de Notre-Dame), que estava apontada para o Céu, indica o atual colapso de nossa fé em Deus, através da desconstrução programada dos próprios fundamentos do cristianismo. Que sinal mais forte poderia ter sido dado, no coração de Paris, no coração da França, filha mais velha da Igreja?

O que o Sr. lembra das visitas de João Paulo II e Bento XVI a Lourdes?

Não poderei esquecer jamais a passagem deles por lá. Chorei apertando a mão de João Paulo II: tive a sensação de tocar o próprio Cristo… E Bento XVI tocou os corações com sua gentileza e sua profundidade.

Que significa Lourdes para nós hoje?

Lourdes é sempre atual (veja o filme Lourdes!). Lá o Céu se abriu para o nosso mundo. Venha e veja. Maria nos chamou, através de Bernadete, para entrar nessa procissão. Ela está esperando por nós.

https://www.lesalonbeige.fr/les-miracles-meconnus-de-lourdes/