brubeck

To Hope! A Celebration foi o primeiro encontro de Brubeck com a Missa Católica Romana, escrita numa época em que ele não pertencia a nenhuma denominação ou comunidade religiosa. Foi encomendada pela editora católica americana Our Sunday Visitor, através de seu editor Ed Murray, que queria uma peça musical séria sobre o texto da Missa no rito novo, não propriamente uma Missa pop ou jazzística, mas que refletisse a experiência católica americana.

A composição teria um efeito profundo na vida de Brubeck. Pouco tempo antes de sua estreia, em 1980, um padre perguntou por que naquela  Missa não havia o Pai Nosso. Brubeck primeiro perguntou: “O que é Pai Nosso?” (Ele a conhecia como “A Oração do Senhor”) e em seguida disse: “Eles não me pediram para fazer isso.”

Ele decidiu não acrescentar mais nada à obra, pois, segundo pensava, poderia causar estragos na composição tal como a havia concebido. Ao padre, ele disse então: “Não posso agora. Vou sair de férias. Passei muito tempo longe da minha esposa e família; quero estar com eles e não me preocupar com música.”

“Então, na primeira noite que passamos no Caribe, eu sonhei com o Pai Nosso”, diz Brubeck. Lembrava-se que saltou da cama para escrever o máximo que pudesse se lembrar do que havia sonhado. Naquele momento, ele decidiu acrescentar essa peça à Missa e tornar-se católico.

Ele garantiu há anos, com firmeza, que não é um convertido, dizendo que para ser um convertido era necessário que fosse “algo” anteriormente. E ele se definia como “nada”, antes de ser recebido na Igreja.

Sua Missa foi executada em todo o mundo, inclusive na antiga União Soviética, em 1997, quando a Rússia pensava em adotar uma religião de Estado. E, dez anos antes, também para o papa João Paulo II, em São Francisco, durante a peregrinação que o pontífice realizou aos Estados Unidos, em 1987.

Requiescat in pace: Dave Brubeck, jazz giant and convert to Catholicism from “nothing”