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Em seu discurso ao corpo diplomático, Sua Santidade delineou o programa de sua administração para o próximo ano, em que destaca a reforma da Cúria, mais “humanismo inter-religioso” e mais colaboração com a ONU. Ou seja, mais do mesmo… E feminismo, muito feminismo, misturando de maneira bastante desconcertante Nossa Senhora com a ONU, nos parágrafos finais: “A Igreja Católica celebra este ano o 70º aniversário da proclamação da Assunção da Virgem Maria ao céu”, disse ele. “Com os olhos em Maria, desejo compartilhar  uma lembrança  particular com todas as mulheres, 25 anos após a Quarta Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres, realizada em Pequim em 1995, desejando que, no mundo inteiro, sempre seja reconhecido o precioso papel das mulheres na sociedade e cesse toda forma de injustiça, desigualdade e violência contra elas.

Sua Santidade está ciente das coisas que saíram daquelas conferências das Nações Unidas, às quais ele se refere? Saberá ele que essa organização internacional defende agressivamente o neomaltusianismo mais estrito e incompatível com qualquer visão que não apenas católica, mas religiosa da existência, com sua legião de aborto livre e gratuito, esterilização de populações inteiras do Terceiro Mundo, fomento da ideologia de gênero?

É difícil pensar que ele não o saiba. É ainda mais difícil pensar que ele o saiba e, mesmo assim, considere a ONU um aliado idôneo, uma espécie de sábio e feliz dirigente do planeta.

Mas há muitas coisas no Santo Padre, muitas declarações que nos levam a pensar que ele idealiza até a simplificação muitos dos conceitos do utopismo progressista. É como se, em muitas coisas, ele tivesse permanecido com a ideia perfeita, o conceito visualizado nos anos sessenta. “Desde os primeiros anos, a Santa Sé observa com interesse o projeto europeu. Este ano, comemora-se o 50º aniversário da presença da Santa Sé como Observador perante o Conselho da Europa, bem como o estabelecimento de relações diplomáticas com as então chamadas Comunidades Europeias”, disse ele. “É uma participação que busca sublinhar uma ideia de construção inclusiva, animada por um espírito participativo e solidário, capaz de fazer da Europa um exemplo de acolhida e equidade social, na esteira dos valores comuns que a sustentam. O projeto europeu continua a ser uma garantia fundamental de desenvolvimento para aqueles que fazem parte dele há muito tempo; e uma oportunidade de paz, após turbulentos conflitos e lesões, para os países que dele desejam participar.”

Mas a União Europeia nada ou pouco tem a ver com o Mercado Comum dos seus pais fundadores. O que temos agora é um projeto de 1992: um “clube” que pressiona países como Polônia ou Hungria para que se abram a leis mais permissivas sobre o aborto e o ensino a crianças em idade escolar da ideologia gênero. O papa deveria saber isso, como deveria saber que essa ‘Europa’ na qual deposita tanta esperança, se recusou — ao projetar esse monstrengo que foi a sua fracassada ‘constituição’ — a reconhecer o óbvio: que se a Europa existe como uma entidade diferenciada, é exclusivamente por ter abrigado a Cristandade.

O mesmo poderia ser dito de sua visão do Islã, que desespera muitos daqueles que provêm de comunidades cristãs no Oriente Médio, como os assírios e coptas, que conhecem a realidade dessa fé em seu aspecto social, muito distante do modelo consagrado em Abu Dhabi. Ou da imigração em massa sem restrições, que ele parece acreditar totalmente positiva, sem querer ver o dramático esvaziamento dos países africanos de origem dos migrantes ou a ruptura cultural que traz aos países anfitriões.

Em suma, esse é o programa do Papa, um programa fundamentalmente globalista, político e apenas tangencialmente relativo às verdades da fé ou à missão de Pedro de na fé confirmar seus irmãos.

https://infovaticana.com/2020/01/09/mas-humanismo-y-mas-onu-el-papa-anuncia-sus-proyectos-para-2020/