paris suja

A nova mentalidade francesa está impregnada de marxismo. O rico só se torna rico explorando o pobre. Ele é o culpado. O pobre explorado pelo rico deve defender-se e recuperar seus bens através de um permanente combate. A isto chamamos luta de classes, isto é, uma guerra sem fim, civil e social. Os sindicatos servem para conduzi-la e finalmente vencer.

Há pouco tempo atrás, a mentalidade do povo francês era bem outra. Estava impregnada do cristianismo. Infelizmente, ao conselho dado a todos: «Amai-vos uns aos outros», sucedeu praticamente um outro conselho: «Detestai-vos uns aos outros.»

Essa desastrosa evolução não aconteceu de repente. Podemos remontar a 1789. A Revolução foi, como todos sabem, muito hostil ao clero católico. Um grande número de padres foi guilhotinado, torturado, massacrado. Enquanto isso, os castelos da nobreza eram incendiados pelos pobres (que, no entanto, não se tornaram mais ricos).

Esse anti-catolicismo prosseguiu ao longo de todo o século XIX, culminando na lei de 1905, de separação da Igreja e do Estado desejada pela franco-maçonaria. Essa nova direção encontrou uma confirmação em 1944-45 no general De Gaulle, que era católico praticante, mas era cercado de militantes comunistas e experimentava uma certa simpatia pela URSS, evidentemente inseparável de seu regime.

O fato é que a mentalidade de hoje, na França, favoreceu a delação. Saint-Exupéry já lamentava que, com muita frequência, vizinhos do lado se apresentassem como delatores. Adicione-se a isso, no topo da hierarquia, a presunção de culpabilidade.

A todo instante, é preciso estar preparado para justificar-se diante do fisco ou dos tribunais. Disso resulta um terrível ambiente geral. « Pai, vá para a esquerda! Pai, vá para a direita…» [Esta frase teria sido pronunciada por Philippe, quarto filho do rei da França João, o Bom, em 19 de setembro de 1356, durante a batalha de Poitiers. O filho, com apenas 14 anos, protegia o pai dos golpes ingleses, gritando: « Pai, vá para a esquerda! Pai, vá para a direita…»]

O pároco, que cuidava das pessoas do batismo até funeral, era sempre um auxílio na tristeza e nas aflições. Foi substituído pelo militante sindicalista, que proclama: «Proletários do mundo inteiro, uni-vos! Os patrões são uns filhos da mãe!»

É preciso continuar fazendo a revolução. Não mais, porém, pela guilhotina, mas com impostos. Léon Blum [político socialista] o compreendeu bem: «A Revolução, dizia, será feita pelo imposto»

E ele não se enganou. A França é o país com mais impostos do mundo. Seu regime é na realidade, embora disfarçadamente, insidiosamente, um regime comunista. O que faz muita gente dizer: «Antigamente, tudo era bem melhor que hoje.»

Dessa mentalidade resulta, também, o atual clima de incivilidade. Ruas, bulevares e avenidas, principalmente em Paris, se enchem de imundícies, lixeiras tombadas, móveis abandonados, tudo com a tolerância das autoridades em relação a algumas faixas da população (que outro dia, por exemplo, ocuparam às centenas o Panthéon, profanando-o, reclamando indenização e alojamento).

São as mesmas pessoas que quebram sistematicamente as vitrines das lojas para roubar e pilhar, e, de forma geral, para diminuir bastante o poder aquisitivo dos comerciantes. Atualmente, na França, a autoridade do Estado é vista como algo tirânico.

O executivo, o legislativo e o judiciário estão impregnados dessa mentalidade que não vai mudar. O chefe do executivo e os poderes públicos bem o sabem. Daí, da parte deles, o imperativo de nada fazer.

Prometem uma multidão de coisas boas, mas as promessas não se cumprem: só permitem que ganhem tempo. Como se espera que esse país seja bem governado, e a vida aqui seja bem melhor, quando reina a insegurança e 20% da população nem possui origem francesa, frequentemente com cultura, costumes e religião muito diferente dos franceses?

O bom senso e a lógica indicam que tudo isto acabará muito mal. Já os poderes públicos divulgam que 650 roubos por arrombamento são cometidos a cada dia. Os próprios eleitos já são sistematicamente vítimas dessas agressões.

As pessoas podem até não acreditar e praticar o método Coué [método psicoterapêutico baseado na autossugestão]. Mas, atenção, o método Coué é como aspirina: alivia por um momento, mas não cura!

https://www.les4verites.com/societe/la-nouvelle-mentalite-francaise