jean de viguerie

Morreu, no último dia 15 de Dezembro, o historiador e professor francês Jean de Viguerie, admirável defensor da fé católica e da contra-revolução, eminente historiador do século XVIII, decano da Faculdade de Letras de Angers, um dos primeiros conferencistas das Universidades Católicas de Verão do Centro Henri e André Charlier.

Nascido em 1935, professor de história desde 1959, fez o serviço militar na Argélia em 1961-1962, onde esteve a serviço do exército francês para ensinar jovens magrebinos nas favelas de Argel. Doutorando-se em 1973, seu trabalho se concentrará na história da educação e da Igreja na Época do Iluminismo. Ele também contribuiu para o Livro Negro da Revolução Francesa, publicado em 2008. Em 1992, Jean de Viguerie era membro do conselho científico da Frente Nacional. Professor honorário da Universidade Lille-III, era membro da Academia de Jogos Florais. Também liderou a Sociedade Francesa de História das Ideias e História Religiosa. Presidiu a associação Magnificat.

Voltando à sua atividade como historiador, em 2000, ele relembrou a dificuldade de fazer carreira, na atual Universidade Francesa, sem se submeter aos dogmas dominantes. Falou de seus reveses como historiador que não era marxista, “e que nunca esteve sujeito aos dogmas do estruturalismo e sociologismo dominantes”. Ele explica que, para tais historiadores independentes, “a progressão na carreira é difícil” e que “os cargos de prestígio nas principais universidades parisienses não foram feitas para eles”.

Em sua obra As duas pátrias, um ensaio excepcional, Jean de Viguerie evoca as duas pátrias: a terra dos pais, e a outra, saída do Iluminismo e da Revolução. A primeira é a França. A segunda não é a França, mas a França é seu suporte e seu instrumento. Em suas palavras:

“Este Estado que responde pela França, na realidade a destrói. Acaso não a está destruindo a legalização do aborto, a constante manipulação mental das pessoas, o fomento ao ódio civil e a negligência em relação à segurança das pessoas e dos bens? O que pretende o Estado é destruir a França. Tem sido a sua inclinação natural desde a Revolução. Sua mecânica funciona revolucionariamente: a “principal fonte” que a impulsiona não é o amor da França, mas o amor da pátria mítica, o amor do mito dos direitos humanos. Diz-se que o Estado leninista é “um Estado contra seu povo”; o mesmo pode ser dito do nosso Estado. Para ele deixar de ser contra o povo, não basta mudar a Constituição, modificar as instituições e as leis, ou mesmo chamar ao poder homens honestos, animados pelo amor de bem comum. A própria natureza do Estado é que deve ser alterada. É preciso instaurar um outro Estado, no qual esteja ausente toda e qualquer ideologia. É preciso, enfim, que possa nascer do corpo social uma nova associação política. Com o Estado nascido do Iluminismo e da Revolução, nunca produziremos nada. Os vendeanos e o conde de Chambord entenderam isso muito bem. Um dia talvez os franceses também o compreendam.”

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