La_decapitación_de_San_Juan_Bautista,_por_Caravaggio

Para os que vivemos na América do Sul e Central, os dois principais inimigos do cristianismo são o capitalismo globalista (que deseja estabelecer no planeta uma Nova Ordem Mundial) e o comunismo (que sobreviveu em Cuba após a aparente mudança de regime na Rússia soviética).

O capitalismo globalista não é o capitalismo tradicional, que se contenta em defender, em cada nação soberana, a liberdade de possuir bens e empreender obras, fundado no regime parlamentar e no Estado constitucional — que deixa as pessoas livres para escolher entre o bem e o mal, a fé e a descrença, mas punidas sempre que incomodarem o funcionamento geral do grupo.

O capitalismo globalista já não tem a nação como ponto de referência, mas o planeta. Não se contenta com a cooperação internacional entre as nações democráticas, nem aceita a ideia de soberania nacional, mas pretende submeter as nações a uma espécie de federação mundial, composta não mais de Estados autônomos, mas obedientes a um poder centralizado.

O historiador inglês Arnold Toynbee, que acreditava na inevitabilidade de um governo mundial, perguntava em meados do século XX se esse governo supranacional seria democrático ou totalitário. Pelo que vemos hoje, esse poder mundialista já existe e, por enquanto, é exercido por uma elite autoimposta, formada sobretudo por capitalistas do setor financeiro e da grande mídia (união do dinheiro com a indústria da informação).

Esse governo mundial, cujo rosto mais visível é a ONU, através de seus organismos — Fundo das Nações Unidas para a Infância; Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura; Organização Mundial da Saúde; Organização Mundial do Comércio; Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas etc. —, não vê com bons olhos o cristianismo e sua defesa da família tradicional, baseada no casamento indissolúvel entre pessoas de sexos diferentes, com autonomia na educação dos filhos. Por isso, promove uma Religião Universal, salada mista composta de retalhos das religiões atualmente praticadas no mundo: budismo, hinduísmo, islamismo, judaísmo etc. Do cristianismo, obviamente, servem somente os pontos doutrinais mais genéricos, como a não-violência e a solidariedade, excluindo-se as suas prescrições morais mais rigorosas e os elementos sobrenaturais, especialmente os relacionados à perdição eterna.

Quanto ao comunismo, apesar da sua falência (aparente) na Rússia soviética, ainda sobrevive na América do Sul e Central. Cuba é o principal exemplo, e funciona como uma espécie de central simbólica do marxismo em nosso continente, patrocinando movimentos de esquerda que, nas últimas décadas, conseguiram chegar ao poder por via eleitoral e nele procuram manter-se através de expedientes pouco democráticos, como na Venezuela e na Bolívia. Em todos os países latino-americanos, em especial na Argentina, Uruguai, Equador e Nicarágua, os socialistas têm forte presença.

No Brasil, os quinze anos de governo petista (partido que, até à época do mensalão, ainda se dizia leninista em sua autodefinição programática) mostram como o comunismo ainda não se transformou em peça do Museu Nacional. Se Cuba funciona como símbolo do comunismo latino-americano, é no Brasil que está sediada a sua principal organização: o Foro de São Paulo, que congrega mais de 100 partidos e organizações esquerdistas da América (do Uruguai ao México), cujo propósito é a conquista socialista do poder não pela luta armada, mas através do domínio das instituições sociais e culturais, como a imprensa, as escolas, as artes, as religiões.

Tal como o capitalismo globalista, o comunismo também é intrinsecamente materialista e ateu. Ambos defendem a ideologia de gênero, o feminismo radical, o divórcio, a farsa do aquecimento global, a contenção do cristianismo. Para atingir esse último objetivo, os comunistas elaboraram uma sofisticada estratégia de infiltração, sobretudo na Igreja Católica, através de um movimento chamado “teologia da libertação”. Seus agentes infiltrados disfarçam-se de padres, bispos e até cardeais, situando-se em postos-chaves da hierarquia, de onde controlam seminários, dioceses, paróquias, escolas, meios de comunicação, com a consequente desfiguração da doutrina, banalização dos cultos, formação deficiente do clero.

Boa parte do sucesso dos comunistas, no continente latino-americano, se deve a essa sistemática política de infiltração na Igreja.