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A missa está morta? De modo algum. A missa está voltando, especialmente se é em latim. Não é só esperança de alguns nostálgicos dos velhos tempos, mas um fenômeno que está se tornando cada vez mais popular nos Estados Unidos, em particular graças à Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, nascida, como se sabe, de ex-padres «lefebvrianos» e constituída formalmente em 1988, com a aprovação de São João Paulo II. Para explicar isso, está aí o Washington Examiner, que mostra como as celebrações desses padres — que alguns não hesitariam em classificar com desprezo como “tradicionalistas” — são cada vez mais procuradas.

Veja-se o que acontece em Los Angeles, onde a Fraternidade de São Pedro não tinha igreja até 2018 e onde, somente no último ano, a Missa Vetus Ordo teve dobrado o número de fiéis, de 250 a 500. Já começou com 200 fiéis, logo que se criou uma quarta missa no domingo, o que demonstra que havia realmente uma necessidade. E este não é um caso isolado.

De fato, mesmo na paróquia de Nápoles, cidade no condado de Collier, na Flórida, a missa em latim hoje reúne cerca de 400 fiéis, marcando um aumento de 20% em relação aos presentes nas celebrações em 2018. O mesmo ocorreu em Coeur d’Alene, em Idaho, onde nos últimos dois anos o aumento do número de fiéis, na Missa Vetus Ordo, foi de 29%, enquanto a paróquia designada para a Fraternidade de São Pedro em Atlanta, no último ano, registrou um aumento de 30% somente no ano passado.

Deve-se dizer que a notícia, aqui, não está apenas no surpreendente sucesso da Vetus ordo, mas também na própria fraternidade que, de 2008 até hoje, em pouco mais de dez anos, viu suas paróquias americanas triplicarem, de 11 a 33. Como o jornal National Catholic Register já observou, há um ano, os padres da São Pedro parecem ser especialistas em fazer renascer comunidades em crise. Emblemática, a esse respeito, é a experiência de Seattle, onde a São Pedro chegou em 2008 e onde, depois de alguns anos, teve de assumir uma segunda paróquia, a 40 minutos da metrópole do estado de Washington, já mencionada, porque o pedido pela Missa Vetus ordo não poderia ser satisfeito por uma única igreja.

A mesmo deve ser dito da Igreja de Todos os Santos, em Minneapolis, onde em apenas sete anos a presença da Missa antiga apenas triplicou, passando de 200 para 600 pessoas. Um sucesso indiscutível da Fraternidade de São Pedro, mesmo que seja acima de tudo um sucesso da Missa Vetus ordo. Tanto que, há alguns meses, também Dan Banke, que escreve para One Peter Five, se, por um lado, tentou limitar o sucesso das celebrações em latim, por outro não pôde deixar de admitir que elas deram “um salto indiscutível em comparação com a difusão que tinham apenas 10 ou 20 anos atrás».

Os sociólogos estão cientes da emergência do cristianismo mais conservador, há já algum tempo. Em estudo publicado em novembro de 2017 na Sociological Science, Sean Bock, um sociólogo de Harvard, concluiu que nos Estados Unidos apenas a “religião moderada” está “em declínio”; por outro lado, evangélicos conservadores e, em geral, aqueles outros — como o universo que gira em torno da Fraternidade de São Pedro —, com convicções que muitos considerariam anacrônicas, continuam estáveis, quando não progridem.

Tudo isso já tinha sido previsto em 1972 pelo estudioso Dean M. Kelley, em seu livro Por que as igrejas conservadoras estão crescendo (Harper & Row), em que, em plena primavera secularista, ele previu o renascimento da religião conservadora, fundada em códigos morais mais rígidos. Uma profecia amplamente confirmada pela procura que a Missa Vetus ordo está tendo, que a cada domingo é assistida por cerca de 100.000 americanos (incusive na ultramundana Los Angeles).

À sua maneira, tudo isso também representa uma resposta àquela parte do mundo católico que acredita que, sem as devidas “aberturas” e as atualizações morais necessárias, a Igreja não seria mais ouvida por ninguém. Uma tese clamorosamente negada pelos fatos, mas à qual, infelizmente, seus apoiadores permanecem presos. Mesmo se erradas, certas crenças são duras na queda…

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